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Inovação Tempo de leitura: 4 minutos

A origem do filtro solar

Entenda como surgiu a proteção solar e a sua eficácia para a saúde

Por: Almir

O hábito de usar o filtro solar de uma forma mais consciente está cada vez mais difundido. A descoberta de que a pele deveria ser protegida do sol, porém, data desde a descoberta da radiação UV e, consequentemente, os malefícios dos raios ultravioletas do sol, a partir de 1614, envolvendo cientistas de vários países.

A prevenção solar, no entanto, começou muito antes, com os egípcios, em 4.000 A.C, que usavam extratos de arroz, jasmim e tremoço. Na Grécia, os atletas cobriam seus corpos com uma mistura de óleo e areia durante o treinamento sob o sol para os jogos olímpicos. O óxido de zinco, que hoje é usado em alguns protetores, é citado no texto médico indiano “The Charaka Samhita”, considerado o mais importante texto do Ayurveda que chegou aos nossos dias. O texto descreve o uso do pushpanjan (que seria o óxido de zinco) como pomada para olhos, feridas abertas e queimaduras.

De acordo com Philip E. Hockberger, do Departamento de Fisiologia, da The Feinberg School of Medicine, de Chicago, o trabalho começou quando um cientista italiano, Angelo Sala, nascido em Vicenza, percebeu que a luz do sol tornava os cristais de nitrato de prata pretos. No estudo History of Ultraviolet Photobiology for Humans, Animals and Microorganisms, Hockberger mostra que em 1777, Carl Wilhelm Scheele, um químico farmacêutico de origem sueca descobriu que o papel embebido em solução de cloreto de prata escurecia quando exposto à luz solar. Quando ele direcionou a luz do sol através de um prisma sobre o papel, a extremidade violeta do espectro foi mais eficaz do que a extremidade avermelhada. 

A descoberta definitiva dos efeitos dos raios UV veio em 1801, quando Johann Wilhelm Ritter, um físico alemão, notou que os raios invisíveis logo além da extremidade violeta do espectro eram ainda mais eficazes no escurecimento do papel encharcado com cloreto de prata.

Sol do bem; sol do mal

Em 1920, a existência da radiação ultravioleta, suas propriedades e sua relação com a luz solar estavam bem estabelecidas. O potencial para aplicações comerciais e industriais mudou o foco para o desenvolvimento de novas fontes (lâmpadas fluorescentes, lâmpadas foto flash, estroboscópios, lasers) e melhores dispositivos para medi-los (filtros, detectores e espectrômetros). 

Também havia um interesse crescente em compreender os efeitos da radiação ultravioleta sobre os organismos vivos, especialmente os humanos. Por volta do século 18, começaram a aparecer, na literatura médica, relatos indicando que a luz solar proporciona uma melhora em diferentes doenças da pele e em doenças internas, incluindo casos de depressão. 

Em 1832, James Picton foi o primeiro a documentar os efeitos deletérios da luz solar em pacientes com varíola. Mas a possibilidade de que a luz do sol e seus raios ultravioleta associados pudessem ser prejudiciais aos humanos só se consolidou no final do século XX, quando estudos experimentais usando animais e microrganismos forneceram evidências convincentes dos efeitos danosos dos raios ultravioleta. Então, as exposições a raios solares por longos períodos começaram a ser consideradas um risco.

Proteção física foi a primeira opção

Evitar a exposição ao sol ou utilizar roupas e chapéus foi uma das primeiras opções da humanidade para prevenir problemas na pele. Em 1981, Friedrich Hammer publicou a primeira monografia em fotobiologia, em que discutia a fotoproteção e o uso de diferentes produtos na prevenção da queimadura solar

Uma das primeiras substâncias a ser utilizada para reduzir as queimaduras foi o sulfato de quinina, em 1891. Em 1928, surge o primeiro filtro solar comercialmente disponível, nos Estados Unidos da América, uma emulsão contendo benzil-salicilato e benzil-cinamato. Durante a segunda guerra mundial, pela necessidade de fotoproteção adequada para os soldados norte-americanos em frentes de batalha nos países tropicais, foi utilizado o petrolatum vermelho como equipamento de proteção padrão.

Em 1943, o ácido para-aminobenzóico (PABA) foi patenteado como o primeiro filtro solar estabelecido, marcando uma nova etapa da fotoproteção. Mas somente durante a década de 1970 a popularização dos fotoprotetores ocorreu, com a incorporação de diferentes filtros UVB em cremes e loções.

Fator de Proteção Solar

O Fator de Proteção Solar (FPS) é o principal dado para quantificação da eficácia fotoprotetora de um filtro solar. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) define os protetores solares como produtos cosméticos. O órgão também é responsável por regular a relação de filtros permitidos, que contém 38 ingredientes ativos.

A definição da quantidade de produto aplicada para gerar o potencial de proteção também deve ser observada. Desde 1978 o Food and Drug Administration (FDA) americano recomenda 2 mg/cm2 de aplicação do produto. Isso significa que, para o rosto deve-se aplicar a quantidade equivalente ao comprimento de um dedo e, para um corpo adulto médio, 2 a 3 colheres de sopa. De acordo com o órgão internacional, quantidades inferiores reduzem a homogeneidade do filme protetor na pele por causa das irregularidades da superfície cutânea.

A recomendação quanto ao fator solar é outro assunto que deve ser levado em consideração. Estudo recentemente publicado por Sergio Schalka, Vitor Manoel Silva dos Reis e Luiz Carlos Cucé concluiu que existe uma relação exponencial entre a quantidade aplicada e a variação do valor do FPS. A principal controvérsia, entretanto, refere-se à limitação do valor do FPS em 30. Apesar de a FDA recomendar o FPS 30 como o máximo a ser utilizado, por conta da dificuldade de absorção de FPS superiores, há cientistas como Osterwalder e Herzog, que afirmam que fatores como o 60 podem representar duas vezes mais proteção que o FPS30.

O Inspire Bio recomenda o uso do filtro solar apenas quando houver exposição ao sol.