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Cuidados Tempo de leitura: 3 minutos

Bucha vegetal é alternativa natural para a limpeza da pele

Originária de uma planta, essas esponjas são biodegradáveis e compostáveis

Por: Almir

A limpeza esfoliante semanal da pele pode ser uma experiência ecológica e natural. Para economia de água e energia, por exemplo, há temporizadores; e, para o consumo consciente ficar ainda mais completo, há shampoo e condicionador em barras sólidas, além das buchas vegetais.

Essas esponjas, aliás, são mesmo parte de um vegetal. Embora muitos as associem a um produto provindo do mar, elas são polpas fibrosas da Luffa cylindrica, planta originária da Ásia, África do Sul e Nordeste do Brasil.

Esponjas dentro de um fruto

A bucha, também conhecida em inglês como loofah, vem de uma trepadeira de verão, da família das cucurbitáceas (a mesma do pepino, melancia, melão e abóbora), famosa por fornecer uma esponja fibrosa, oriunda de seus frutos e muito útil para higiene pessoal e limpeza geral.

Para serem colhidos, os frutos da Luffa têm que amadurecer na videira até que se tornem amarelos ou acastanhados. Com o tempo, as fibras internas começam a se separar da casca e ficam leves. Após colhidas, passam por um processo de lavagem e secagem e estão prontas para o uso.

As esponjas podem ser usadas inteiras ou em cortes planos e transversais. Em algumas regiões, essa fibra também serve para fazer filtros, tapetes de mesa, palmilhas, sandálias e outros produtos.

Acessório para skincare direto da natureza

Esponjas derivadas de Luffa são resistentes à sujeira, mas não são altamente abrasivas e servem como aliado para lavar o rosto e o corpo, mesmo assim, aconselhamos usar apenas uma vez por semana, ou em situações específicas que demandem maior auxílio na limpeza da pele. Alguns artesãos até utilizam fatias da esponja seca dentro de sabonetes para criar uma espécie de esfoliação natural à medida em que eles vão sendo utilizados.

Dermatologistas recomendam, porém, que alguns cuidados sejam tomados ao incluir a luffa na skincare: faça a limpeza com movimentos suaves para evitar stress excessivo na pele; garanta que a esponja fique completamente seca entre os usos, evitando o surgimento do mofo; a substitua por uma nova quando perceber que ela já não está mais própria para uso.

Para evitar germes, mergulhe a bucha numa mistura diluída com água, bicarbonato de sódio e vinagre, se necessário. Como ela é compostável, o descarte da bucha antiga pode ser feito no lixo orgânico, depois de retirado qualquer resíduo de produtos. 

Opção mais sustentável para louças e banho

O item mais utilizado pelos brasileiros, no entanto, ainda é a esponja sintética, sobretudo para lavar louças. Feita de espuma, ela é composta por plástico poliuretano. Ou seja, contém derivados do petróleo e outras substâncias químicas sintéticas. 

Além disso, por serem feitas de plástico, as buchas tradicionais demoram cerca de 400 anos para se decompor. Agora, também já se tem versões dessas esponjas – feitas com o mesmo material artificial – para o banho. 

Ao contrário dessas esponjas artificiais, a Luffa não gera resíduo, pois é biodegradável e compostável, orgânica e dura de 2 a 5 meses em perfeito estado. Já o descarte das esponjas sintéticas deve ser feito no máximo em 7 dias, o que aumenta ainda mais os resíduos.

Existem, porém, algumas empresas de esponjas plásticas que fazem parcerias com ONGs que reaproveitam os derivados do poliuretano – que é bem difícil de reciclar – para fazer outros produtos, como pisos, por exemplo. O problema é que esse tipo de coleta de esponjas ainda é muito pequena se comparado ao seu consumo.

Do banho ao prato

Além de ser uma opção mais natural para a pele, a esponja vegetal ajuda na economia circular. Ela é tão fácil de plantar que pode crescer em uma horta particular, desde que se tenha espaço adequado, já que se trata de uma espécie de trepadeira. 

Apesar do fácil cultivo e colheita, no entanto, elas precisam de uma longa temporada para amadurecer (de 150 a 200 dias quentes). Por isso, os cultivadores costumam semeá-las em vasos com algumas semanas de antecedência e esperam o tempo estar bem quente para plantá-las ao ar livre. O Norte do Brasil é muito propício para o cultivo, pois alterna dias muito quentes com dias de chuva, o que é ótimo para essa planta que precisa estar com a terra sempre úmida. 

Em muitas outras partes do mundo, os botões de flores e frutas muito jovens da Luffa (que têm gosto muito parecido com a abóbora), se transformam em saladas e outros pratos mais elaborados. Segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), os derivados da planta contêm muita vitamina A, manganês, potássio, cobre, vitaminas B5 e B6 e vitamina C.