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Inovação Tempo de leitura: 2 minutos

Cientistas comprovam que estresse agudo pode deixar o cabelo branco

Estudo mostra que a ativação intensa do sistema nervoso simpático acelera a despigmentação dos fios

Por: Almir

O ditado popular que diz “o estresse pode nos deixar com os cabelos brancos” se tornou comum e até mesmo motivo de brincadeira. Mas uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) em parceria com um grupo da Harvard University (EUA) confirmou que a frase sempre esteve certa. Sim, o esgotamento físico e emocional pode causar a despigmentação capilar ou canície, como é conhecida no jargão científico.

Veja aqui a pesquisa completa

Em entrevista à Agência Fapesp, Thiago Mattar Cunha – cientista/pesquisador do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado na FMRP-USP – fala sobre a importância do estudo coordenado pela professora de biologia regenerativa Ya-Chieh Hsu. Os resultados foram divulgados na revista Nature.

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“Há muito se diz que o estresse faz o cabelo ficar branco. Mas, até o momento, essa afirmação não tinha base científica. Comprovamos neste estudo que o fenômeno de fato ocorre e identificamos os mecanismos envolvidos. Além disso, descobrimos uma forma de interromper o processo de branqueamento por estresse”, contou.

Situações de estresse apressam o envelhecimento de células tronco

O pesquisador explica que o sistema nervoso simpático é o responsável pelas alterações no organismo em situações de estresse ou emergência. Por meio de uma onda de adrenalina e cortisol, ele faz o coração bater mais rápido, a pressão arterial subir, a respiração acelerar e as pupilas dilatarem, entre outros efeitos sistêmicos que visam preparar o corpo para “lutar ou correr”.

“Quando somos jovens, essas células encontram-se em um estado indiferenciado – como todas as células-tronco. À medida que envelhecemos, vão gradualmente se diferenciando e, quando o processo se completa, param de produzir os melanócitos. Demonstramos, por diversas metodologias, que uma ativação simpática intensa faz com que o processo de diferenciação progrida muito mais rapidamente. Ou seja, em nosso modelo, a dor acelerou o envelhecimento das células-tronco melanocíticas”, explicou Cunha.

“O impacto prejudicial do estresse que descobrimos está além do que eu esperava”, pontuou na pesquisa Ya-Chieh Hsu, coordenadora do grupo em Harvard e uma referência no estudo de processos que controlam a diferenciação das células-tronco da pele. 

Apesar da valorosa descoberta, Thiago Cunha ainda não sabe precisar se a pesquisa ajudará, de alguma maneira, no desenvolvimento de formulações anti-aging como prevenção estética à descoloração dos fios. “É preciso avaliar, por exemplo, se eventuais efeitos colaterais de um inibidor de CDK (reguladores da progressão do ciclo celular) valeriam o benefício estético”, avalia o cientista.