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Inovação Tempo de leitura: 5 minutos

Como agem o shampoo e o condicionador no cabelo

A limpeza dos fios pode ser feita de maneira mais natural e eficaz

Por: Almir

Muitas pessoas têm dúvidas no processo de transição dos shampoos/condicionadores convencionais para os naturais, mas nem todos sabem como esses produtos agem nos cabelos.

A limpeza promovida pelo shampoo funciona através da retirada da gordura e oleosidade em excesso, partículas de poeira e poluição e as células mortas. Em geral, os shampoos convencionais abrem as cutículas dos fios para a limpeza e remoção de resíduos, por isso é necessário utilizar, na sequência, os condicionadores, para auxiliar no reequilíbrio do cabelo. Ou seja, se o produto tiver os ingredientes corretos para fazer essa função e ainda gerar um consumo consciente, como as barras sólidas, não há motivos para se preocupar com uma possível transição, a diferença será apenas no sensorial.

A estrutura capilar  

Os fios de cabelos são formados por três camadas: cutícula, córtex e medula. A cutícula é a camada mais externa, responsável por regular a entrada e saída de água da fibra. Ela é composta de células achatadas e alongadas sobrepostas como escamas de peixes. Cobre o fio da raiz às pontas, sobrepondo-se no sentido do comprimento e garantindo a manutenção dos nutrientes dentro da fibra.

A cutícula funciona como uma barreira protetora e geralmente é bem resistente. No entanto, pode ser afetada pelo pH (que indica a acidez ou alcalinidade das substâncias) e pela temperatura. A cutícula é quem primeiro recebe o efeito do shampoo, que abre essa camada, permitindo a retirada do excesso de oleosidade do fio.

A segunda camada é o córtex, responsável pela maior parte do fio e por sua resistência e força, o córtex também é responsável pela grande parte de massa capilar e pela formação da cor do cabelo. Já a medula, pode ser inexistente ou parcial no centro de alguns fios.

O ideal é que as cutículas permaneçam seladas e muito bem alinhadas

Para ter cabelos sedosos e com brilho, o ideal é que as cutículas estejam bem seladas e organizadas. A não ser na hora da limpeza. Neste momento, o shampoo entra em ação promovendo a abertura das escamas para que a oleosidade e a sujeira possam ser retiradas.

Isso acontece por conta do pH dos shampoos, que são mais alcalinos (acima do pH7). A ação do shampoo também permite que os fios fiquem preparados para entrada dos ativos de tratamentos capilares. É por isso que, normalmente, antes de qualquer tratamento, recomenda-se a lavagem dos cabelos com shampoos de pH mais alcalino ou antirresíduos.

Antes dos processos de alisamento, descoloração e coloração é feita uma abertura das cutículas, pois os processos químicos ocorrem profundamente no cabelo e as substâncias precisam penetrar. Em alguns casos estas substâncias desagregam as escamas, causando porosidade e deixando os fios com aspecto ressecado, frágil e quebradiço, com a superfície rugosa e porosa.

Condicionamento é importante para reestruturar os fios

É aí que entram os condicionadores e máscaras que, com pH mais ácido (menor que 7), selam as escamas, promovendo a reorganização e proteção dos fios, deixando-os mais brilhantes. Outro fator que pode causar a abertura das escamas são as temperaturas elevadas. De acordo com um estudo do Departamento de Engenharia de Produção da Faculdade Pitágoras, de São Luís (MA), apresentado na 63ª. Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a temperatura elevada de chapinhas promove a desnaturação proteica do cabelo. Em temperaturas de 40 a 45 graus Celsius, algumas proteínas corporais se desnaturam e perdem suas funções.

A pesquisa conclui que quando a temperatura da chapinha é mantida abaixo de 230°C ela consegue remover a umidade, rompendo as pontes de hidrogênio, dando um novo formato para o fio. Acima de 350°C ocorre dano total ao fio de cabelo.

De que é feito o shampoo?

Até a primeira metade do século XX era normal as pessoas usarem sabão de lavar roupa para limpar os cabelos. O pH alto deixava as escamas muito abertas, promovendo a perda de água e de nutrientes, danificando a fibra capilar. O primeiro shampoo ou sabão líquido para lavar cabelos foi produzido na Alemanha, em 1890, mas o “limpador de cabelos” só começou a ser comercializado em escala após a Primeira Guerra Mundial.

O termo “shampoo” partiu da palavra hindu “champo”, que significa “massagear”. A partir do

século XX é que diferentes tipos de shampoos começaram a ser elaborados para cada tipo de cabelo. No Brasil, o produto chegou em 1968, ano em que o país assistia à migração do campo para as cidades e as mulheres davam os primeiros passos para o trabalho fora de casa.

O condicionador foi inspirado nos óleos naturais que têm sido usados há séculos pelas mulheres. O produto começou a ser utilizado com mais regularidade na virada do século passado, quando o fabricante de perfumes Ed Pinaud apresentou a “brilliantine”, um produto para amaciar cabelo, barba e bigode.

Basicamente, a composição do shampoo é a seguinte:

1 – Tensoativos

Agentes que têm função de limpeza. Eles reduzem a tensão superficial da água e de outros líquidos, permitindo que o shampoo elimine resíduos de gordura, suor e poeira. Os tensoativos aniônicos são os mais utilizados em shampoos por causa do grande poder de remoção de sujeiras. Quando em contato com o cabelo, ele adere à gordura e forma pequenas gotículas, que são suspensas e removidas pela água. Já os tensoativos não-iônicos são estabilizantes de espuma e pouco irritantes para os olhos. Eles dão maior viscosidade ao shampoo. O terceiro tensoativo mais usado é o Anfotérico, que confere aos cabelos um residual gorduroso, para tornar o shampoo menos agressivo.

2 – Agentes quelantes

São utilizados para evitar problemas de mudança de cor, cheiro ou aparência. Podem ser chamados também de sequestrantes.

3 – Reguladores de viscosidade

Deixam o produto mais viscoso e espesso.

4 – Reguladores de pH

Ajustam acidez e alcalinidade ideal.

5 – Umectantes

Retém a água na pele ou cabelos depois da aplicação do cosmético.

6 – Agentes condicionadores

Formam um filme no entorno de cada fio, facilitando o desembaraço e evitando a porosidade, para fechar as escamas dos cabelos e promover a elasticidade dos fios, com maciez.

7 – Preservantes

Conserva o produto bom para uso por mais tempo, desde a fabricação até o consumidor final.

8 – Fragrâncias, corantes e aditivos

Dão odor e cor ao produto. 

De que é feito o condicionador?

O tratamento do cabelo com produtos de baixo pH (até 3,5) faz com que a cutícula fique compacta e o cabelo, tratado. Se o pH for menor, pode causar danos aos cabelos. Veja algumas das substâncias mais comumente usadas nos condicionadores. 

1 – Surfactantes de sais quaternários de amônio

Neutraliza as cargas negativas depositadas nos cabelos pelo shampoo, diminuindo a repulsão entre os fios. 

2 – Tensoativos catiônicos

Possuem ação bactericida e têm a capacidade de diminuir a tensão superficial da água.

3 – Fragrâncias corantes e aditivos

Dão odor e cor ao produto. 

Shampoo com ou sem sulfato

O sulfato é um dos tensoativos introduzidos nas formulações de shampoos para agir como um detergente, mas em grandes quantidades, ele pode prejudicar as fibras dos cabelos, deixando-os quebradiços e sem vida. Os shampoos sem sulfato são mais suaves, mas fazem menos espuma. Por isso, costuma existir tanto estranhamento com shampoos em barra. Por não possuírem surfactantes tão fortes, como por exemplo o lauril sulfato de sódio, eles espumam menos, mas tem muita eficácia e são bem mais seguros, além da importante questão ligada à diminuição do uso de embalagens plásticas.

Os shampoos sem sulfato são indicados, principalmente, em cabelos que passaram por processos de descoloração, tintura, alisamento, poupando os fios e o couro cabeludo.

Há especulações de que os sulfatos seriam muito prejudiciais tanto ao fio de cabelo quanto ao couro cabeludo, podendo provocar câncer. No entanto, segundo o Estudo Comparativo de Shampoos com e sem Tensoativos Sulfatados, do Centro de Pós-Graduação Oswaldo Cruz, tanto a ANVISA quanto a COLIPA declaram não existir evidências científicas que comprovem tal potencial carcinogênico.

Shampoos sem água

Já existem outras alternativas ao shampoo líquido. Além das barras sólidas, também já se pode encontrar versões do cosmético em creme, gel, a seco e até em pó. Os dois últimos, apesar de terem textura semelhante, são diferentes. 

O a seco costuma ser vendido em spray e promete retirar a oleosidade dos cabelos sem o uso de água. O aerosol não chega a ser um problema já que hoje, cerca de 90 a 95% dessas embalagens fabricadas no Brasil utilizam, no lugar do CFC (clorofluorcarbono), o GLP (gás liquefeito e inócuo), que não causam tantos danos ao meio ambiente.

Enquanto isso, o shampoo em pó precisa de água para ser ativado. Para usar, deve-se colocar cerca de uma colher pequena (como a colher de café) nos cabelos úmidos e espalhar em movimentos suaves. A vantagem é – assim como acontece com o shampoo em barra – a economia de produto, que não escorre, e a de água, que é um dos maiores componentes dos shampoos tradicionais.