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Cuidados Tempo de leitura: 3 minutos

Como o estresse pode afetar a sua pele

O estresse pode ficar literalmente estampado na sua cara. Entenda!

Por: Caroline Borges

Estudos mostram que o estresse agudo e crônico pode exercer efeitos negativos no bem-estar geral da pele, além de influenciar em várias condições, como a psoríase, eczema, a acne e até a queda de cabelo. E não para por aí: a pesquisa também mostrou que a pele e os folículos capilares contêm mecanismos complexos para produzir seus próprios sinais indutores de estresse, que podem viajar para o cérebro e perpetuar a resposta a ele. 

A via de mão dupla entre o estresse e a pele

Você com certeza já experimentou a conexão entre cérebro e a pele: sabe quando você fica tão nervoso que começa a suar? Ou quando o seu rosto fica corado, dando a ele um tom avermelhado? O que acontece é uma resposta de estresse aguda e temporária. Mas a ciência sugere que a exposição repetida a estressores psicológicos ou ambientais pode ter efeitos duradouros em sua pele que vão muito além do rubor – e podem até afetar negativamente seu bem-estar geral.

O eixo cérebro-pele é um caminho bidirecional interconectado que pode traduzir o estresse psicológico do cérebro para a pele e vice-versa. O estresse desencadeia o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), um trio de glândulas que desempenham papéis fundamentais na resposta do corpo ao estresse. Isso pode causar a produção de fatores pró-inflamatórios locais, como cortisol e hormônios-chave, na resposta ao estresse de luta ou fuga, chamados catecolaminas, que podem direcionar células imunes da corrente sanguínea para a pele ou estimular células pró-inflamatórias. Os mastócitos são um tipo chave de células pró-inflamatórias da pele no eixo cérebro-pele; eles respondem ao hormônio cortisol através da sinalização do receptor e contribuem diretamente para uma série de condições da pele, incluindo a coceira.

Como a pele está constantemente exposta ao mundo exterior, é mais suscetível a estressores ambientais do que qualquer outro órgão e pode produzir hormônios do estresse em resposta a eles. Por exemplo, a pele produz hormônios do estresse em resposta à luz ultravioleta e à temperatura e envia esses sinais de volta ao cérebro. Assim, os estressores psicológicos podem contribuir para a pele estressada, e os estressores ambientais, via pele, podem contribuir para o estresse psicológico, perpetuando o ciclo de estresse.

De que outra forma o estresse pode afetar sua pele?

O estresse psicológico também pode romper a barreira epidérmica – a camada superior da pele que retém a umidade e nos protege de microorganismos nocivos – e prolonga sua capacidade de recuperação, de acordo com estudos clínicos em pessoas saudáveis. Uma microbiota intacta é essencial para uma pele saudável; quando comprometida, pode irritar a pele, bem como provocar condições crônicas, incluindo eczema, psoríase ou feridas. O estresse psicossocial tem sido diretamente ligado ao aumento dessas condições em pequenos estudos observacionais. As crises de acne também têm sido associadas ao estresse, embora a compreensão dessa relação ainda esteja evoluindo.

Os efeitos negativos do estresse também foram notados no cabelo. Um tipo de perda capilar difusa pode ser desencadeada por estresse psicossocial, que pode inibir a fase de crescimento capilar. O estresse também foi associado ao cabelo grisalho em estudos com camundongos. A pesquisa mostrou que o estresse artificial estimulou a liberação de norepinefrina (um tipo de catecolamina), que esgotou as células-tronco produtoras de pigmentos dentro do folículo piloso, resultando em cabelos grisalhos.

 Como cuidar de uma pele estressada?

Embora a redução dos níveis de estresse teoricamente ajudaria a aliviar os efeitos prejudiciais na pele, há apenas dados limitados sobre a eficácia dessas intervenções. Há algumas evidências de que a meditação pode diminuir os níveis gerais de catecolaminas em pessoas que a praticam regularmente. Da mesma forma, técnicas de meditação e relaxamento demonstraram ajudar na psoríase. No entanto, são necessários mais estudos para mostrar o benefício dessas técnicas em outras condições da pele. Hábitos de vida saudáveis, incluindo uma dieta equilibrada e uma rotina de exercícios, também podem ajudar a regular os hormônios do estresse no corpo, que por sua vez devem ter efeitos positivos para sua  pele e cabelo.