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Inovação Tempo de leitura: 3 minutos

Compostos aromáticos produzidos através de biotecnologia trazem vantagens à cosmética natural

Bioaromas são importantes aliados para sustentabilidade

Por: Almir

Os cheiros nos remetem a muitas coisas: limpeza, frescor, natureza. Por isso, na hora de escolher um cosmético, muitos consumidores se deixam levar apenas pelas irresistíveis fragrâncias.

Os aromas são atributos de grande importância na identidade e qualidade dos cosméticos. Eles podem estar naturalmente presentes ou serem adicionados para reforçar ou melhorar a percepção sensorial de tais produtos..

Acontece que nem sempre esses aromas são naturais. É por isso que o setor green beauty vem realizando vários estudos e pesquisas para encontrar soluções biotecnológicas para que essa experiência sensorial seja a mais natural possível.

Diferenças entre aromas artificiais e naturais

A legislação brasileira (RDC Nº 2, de 15 de janeiro de 2007 da ANVISA) faz uma distinção clara entre aromas naturais e sintéticos:

Aromas Naturais

São aqueles “obtidos exclusivamente por métodos físicos, microbiológicos ou enzimáticos, a partir de matérias-primas aromatizantes naturais”. Há, no mercado, diferentes aromatizantes naturais, como óleos essenciais, extratos, bálsamos, óleos, resinas e oleogomaresinas, aromas naturais isolados e aromas por reação.

Aromas idênticos ao natural

Esses aromas são obtidos por síntese ou podem ser isolados por processos químicos, a partir de matérias primas de origem animal, vegetal ou microbiana que apresentam uma estrutura química idêntica às substâncias presentes nas referidas matérias-primas naturais.

Aromatizantes Sintéticos

São obtidos por processos químicos, e são divididos entre aromas artificiais e aromas idênticos ao natural. Eles são feitos por síntese química de substâncias que ainda não tenham sido identificadas em produtos de origem animal, vegetal ou microbiana.

Tecnologia a favor da cosmética

Os compostos aromáticos podem ser obtidos por três vias principais: extração diretamente da natureza, transformações químicas ou pela via biotecnológica (transformações microbianas e enzimáticas). A técnica de extração da natureza, principalmente de vegetais, apresenta algumas desvantagens, como baixo rendimento, a dependência da sazonalidade da matéria-prima, variações no padrão do produto final e possíveis problemas ambientais oriundos do extrativismo.

E é nesse momento que a tecnologia tem papel fundamental: um processo fora dos padrões para se conseguir um determinado composto pode influenciar diretamente na qualidade e na segurança de um produto.

A síntese química surgiu como uma forma de contornar os problemas de rendimento que a extração provoca. Porém, ela também apresenta algumas desvantagens, principalmente, em relação a geração e descarte de resíduos, advindos da utilização de solventes orgânicos e da baixa seletividade da reação, que acabam gerando outros produtos além dos aromas. Outro entrave é a necessidade de etapas adicionais de purificação mais refinadas. Dessa maneira, o aroma obtido pela via química deve obrigatoriamente ser rotulado como “artificial”.

Os bioaromas são uma alternativa para a produção de aromas classificados como naturais. Eles são obtidos de forma biotecnológica, principalmente através de processos fermentativos com a utilização de microorganismos, o que gera uma redução de resíduos.

Os processos biotecnológicos para produção de aromas também podem ser feitos por meio da síntese de novo, na qual os compostos são submetidos a uma série de reações das vias metabólicas de uma célula viva, ou por meio de biotransformações, em que um substrato é modificado por um biocatalisador (enzima ou micro-organismo) em uma (ou poucas) reações.

Quanto mais natural, melhor

Segundo dados da Biotec (do grupo AQIA Química Inovativa, que pesquisa novas tecnologias e conceitos em ativos dermo e nutricosméticos), aproximadamente 90% dos aromas disponíveis atualmente são artificiais.

Mas, a crescente demanda do mercado consumidor por ingredientes mais naturais vem trazendo uma mudança considerável no comportamento do setor. No mercado europeu, por exemplo, a maioria dos alimentos disponíveis para consumo já possuem corantes naturais. E, aos poucos, essa modificação também está chegando no Brasil.

Pesquisas mais recentes têm explorado a utilização de resíduos agroindustriais para a produção de aromas, como uma forma de redução do custo. A casca da laranja, por exemplo, é um subproduto extremamente abundante no Brasil (são gerados mais de 4 milhões de toneladas por ano), uma vez que, o país é o principal produtor da fruta.

A maior parte da laranja produzida vai para a fabricação de suco, mas a sua casca – rica em óleos essenciais como o limoneno -, já vem sendo utilizada para produção de aromas por meio das biotransformações. O limoneno, inclusive, já é considerado um substrato precursor de diversos aromas como α-terpineol, álcool perílico, carveol, carvona e mentol.

Algumas empresas brasileiras já adotam produtos à base de ativos naturais de fontes renováveis. A chamada ‘química verde’, a base de óleos essenciais como o Terpenoil – ou seja, Óleo de Terpeno -, pode ser encontrada em produtos de desinfecção, limpeza e tratamento de ar.