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Inovação Tempo de leitura: 3 minutos

Confira as 20 empresas que produzem 55% dos resíduos de plástico do mundo

Relatório identifica principais entidades que impulsionam a crise climática

Por: Redação

Pela primeira vez, o estudo The Plastic Waste Makers (Fabricantes de Resíduos Plásticos), realizado pela Minderoo Foundation e publicado pela Minderoo Productions, traz a público os nomes de vinte empresas petroquímicas que geram mais da metade dos resíduos descartáveis e, também, os das respectivas instituições financeiras globais que as apoiam.

O relatório, que identifica a origem mundial dos resíduos plásticos de uso único, visa aumentar a transparência ao longo de toda cadeia de abastecimento do composto (que pode ser natural ou sintético).

Grandes resíduos, grandes negócios

Segundo a análise, entre as empresas globais apontadas como grandes poluentes de resíduos de embalagens plásticas do mundo estão as estatais e multinacionais, incluindo gigantes de petróleo e gás e empresas químicas. Elas produzem os polímeros que se transformam em plásticos descartáveis – de máscaras a sacolas e garrafas plásticas -, que poluem os oceanos ou são queimados e jogados em aterros sanitários.

O estudo atribui a ExxonMobil (multinacional de petróleo e gás dos Estados Unidos, com sede em Irving, no Condado de Dallas, Texas) o título de maior poluidor de lixo plástico descartável do mundo, contribuindo com 5,9 milhões de toneladas de resíduos para a montanha de descarte global.

Já a maior empresa química do mundo, a Dow, com sede nos Estados Unidos, é responsável por 5,5 milhões de toneladas de resíduos; enquanto a Sinopec, empresa de petróleo e gás da China, criou 5,3 milhões de toneladas.

E a produção de plástico costuma ser financiada por bancos líderes, entre os quais se destacam Barclays, HSBC, Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase.

Dados reveladores

Onze das empresas citadas estão sediadas na Ásia, quatro na Europa, três na América do Norte, uma na América Latina e uma no Oriente Médio. 

A Austrália lidera a lista de países que mais geram resíduos plásticos de uso único per capita, à frente dos Estados Unidos, Coréia do Sul e Grã-Bretanha.

Os resíduos plásticos dessas 20 empresas globais equivalem a mais da metade das 130 milhões de toneladas métricas de plástico descartável contabilizadas em 2019, diz a análise.

E não são apenas os oceanos que esses resíduos poluem: os cientistas descobriram que o plástico também polui o ar. 

Mudanças necessárias

Os descartáveis ​​são feitos quase que exclusivamente de combustíveis fósseis, colaborando com a crise climática e, por serem alguns dos itens mais difíceis de reciclar, acabam criando montanhas de resíduos globais. Apenas 10% -15% do plástico descartável pelos países é reciclado a cada ano.

Al Gore, ambientalista e ex-vice-presidente dos Estados Unidos, disse em entrevista ao The Guardian que a análise expôs que as empresas de combustíveis fósseis precisam rever a produção de plástico e, também, mudar o seu modelo de transporte e geração de eletricidade para sistemas descarbonizadores.

“Uma vez que a maior parte do plástico é feita de petróleo e gás – especialmente gás conhecido como fracking (que refere-se a uma técnica de extração de gás natural realizada principalmente em reservatórios considerados não convencionais) – a produção e o consumo de plástico estão se tornando um fator significativo para a crise climática”, disse Gore.

“Além disso, o lixo resultante – principalmente de plásticos descartáveis ​​- está se acumulando em aterros sanitários, ao longo das estradas e em rios que carregam grandes quantidades para o oceano.”

Problema a ser sanado

A crise do lixo plástico cresce a cada ano. A publicação diz que nos próximos cinco anos, a capacidade global de produção de polímeros naturais para plásticos descartáveis ​​pode crescer mais de 30%.

Em 2050, o plástico deverá ser responsável por 5% -10% das emissões de gases de efeito estufa.

Os autores do relatório da Minderoo Foundation denunciam, porém, que por décadas, a indústria de plásticos em todo o mundo teve permissão para operar com regulamentação mínima e transparência limitada.

“A poluição por plástico é uma das maiores e mais críticas ameaças que nosso planeta enfrenta”, disse o Dr. Andrew Forrest AO, presidente da Fundação Minderoo. “O panorama atual tende a piorar e, simplesmente não podemos permitir que esses produtores de plásticos derivados de combustíveis fósseis continuem sem verificação. Com nossos oceanos sufocando e o plástico afetando nossa saúde, precisamos pensar numa intervenção firme de produtores, governos e do mundo das finanças para quebrar esse ciclo de inação.”

Um consumo consciente gera mudanças para uma economia circular, cujo principal objetivo é gerar recursos a longo prazo num processo contínuo de reaproveitamento e reciclagem. Dessa forma se une o modelo sustentável com a tecnologia e o comércio global trazendo, consequentemente, menos impactos ao meio ambiente.