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Cuidados Tempo de leitura: 3 minutos

Por que alguns cosméticos não podem ser usados por gestantes?

Para que uma gravidez se desenvolva de maneira saudável, é importante que as gestantes fiquem atentas à composição dos cosméticos

Por: Caroline Borges

Analisar os rótulos dos cosméticos antes ou durante a gravidez é fundamental para que o bebê se desenvolva de maneira saudável. Isso porque não é só o consumo da cafeína, álcool ou drogas ilícitas que são prejudiciais ao desenvolvimento do feto.

Em pesquisa recente, cientistas do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ) descobriram que quanto maior a concentração de parabenos em cosméticos, maior o risco de o bebê ficar acima do peso aos 8 anos. 

Veja aqui a pesquisa completa

Foram analisados um questionário respondido pelas gestantes e a urina de 622 delas. Os pesquisadores, então, concluíram que a anomalia estava ligada ao uso de produtos com butilparabeno. Em entrevista ao Saúde Abril, a dermatologista Juliana Toma avaliou que apesar de a evidência do estudo ser incipiente, é mesmo melhorevitar o uso de parabeno durante a gestação. “Não sabemos os perigos que oferecem aos bebês”, diz a profissional. 

 

Outras substâncias devem ser evitadas por gestantes

A gravidez é um período muito delicado. Todo o organismo materno passa por diversas alterações fisiológicas que sustentam o bebê em crescimento e preparam a mulher para o parto. Diante disso, é preciso tomar muito cuidado com o uso de substâncias químicas. Os parabenos, por exemplo, costumam ser descritos como metilparabeno, propilparabeno, butilparabeno. São normalmente encontrados em cremes e loções para o corpo, e em produtos antissépticos.

Existem ainda outros ingredientes considerados inofensivos, porém frequentemente encontrados em formulações comercializadas livremente e que devem ser evitados. A ureia (em concentração superior a 3%), cânfora, chumbo, ácidos (inclusive o hialurônico, retinoico e salicílico), hidroquinona, tretinoína, adapaleno, lactato de amônio e isotretinoína estão nessa lista.

Outras substâncias que devem ser evitadas são a oxibenzona; os retinóides (geralmente são listados nos rótulos como palmitato de retinil, acetato de retinil, linoleato de retinil e retinol); e metoxicinamato octila, muito encontrados em protetores solares. Esses componentes químicos são conhecidos por serem um potencial disruptor hormonal. Podem causar reações alérgicas e, consequentemente, colocar a vida da mãe e do bebê em risco.

 

Protetores solares químicos devem ser evitados na gestação

Em 2010, uma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Zurique confirmou que algumas substâncias contidas nas formulações de protetores solares são absorvidas pelo organismo e expelidas no leite materno. Com essa informação, a Sociedade Brasileira de Dermatologia reiterou que taissubstâncias podem permanecer armazenadas na gordura do corpo durante semanas.  Sugerem ainda que especialistas prescrevam o uso moderado – ou nulo – do produto durante a gestação.

O estudo mostrou que a taxa de contaminação das lactantes não é pequena. Em 85,2% das amostras de leite coletadas em 54 voluntárias tinham algum resquício de protetor solar.

No Brasil, como os protetores são classificados como produtos cosméticos, podem ser vendidos indiscriminadamente, sem precisar de receita. É importante, então, que as gestantes fiquem mesmo atentas às descrições contidas nos rótulos.Clique e veja como ter uma proteção solar mais consciente e sustentável.

 

Substâncias liberadas para futuras mães

Uma alternativa às substâncias citadas é o uso de protetores com óxido de zinco e dióxido de titânio, que ficam apenas na superfície da pele. Ao contrário dos cosméticos que usam oxibenzona, por exemplo, os cosméticos minerais não vão parar na corrente sanguínea. O ideal é que a gestante faça banhos de sol por tempo determinado. São indicados horários em que a incidência solar é mais fraca, ou seja, antes das 10h e depois das 16h, até para que ocorra a produção de vitamina D.

Já para produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC), o ideal é usar formulações o mais naturais possível à base de substâncias sem efeitos colaterais como aloe vera, niacinamida e óleo de amêndoas. O ácido hialurônico deve ser evitado para se evitar orisco de possíveis alergias.  Em doses baixas – e se prescrito por médicos – pode ser aplicado. Também recomenda-se evitar produtos com essências e perfumes com álcool, pois podem irritar a pele ou provocar enjoos. Deve-se também evitar as tinturas de cabelo, que podem provocar sérias reações alérgicas, pois podem ser altamente tóxicas. 

Por fim, vale lembrar às gestantes que é muito importante consultar regularmente o obstetra. Além disso, é bom procurar a orientação do dermatologista para que ele possa indicar ou prescrever produtos que não sejam nocivos para a sua saúde e, também, para a do bebê.