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Inovação Tempo de leitura: 2 minutos

Economia circular propõe consumo mais consciente para o setor da beleza

Nova forma de negócio pode gerar otimização na utilização de matérias-primas, menos desperdício e um menor impacto ambiental

Por: Almir

A indústria da beleza green está intimamente ligada à economia circular. Esse é um conceito que visa associar o desenvolvimento econômico a um melhor uso de recursos naturais, por meio de novos modelos de negócios e da otimização dos processos de fabricação com uma menor dependência de matéria-prima virgem, priorizando assim os insumos mais duráveis, recicláveis e renováveis.

Para quem já pensa e pratica o consumo consciente, de certa maneira, esse processo de repensar a utilização de recursos naturais está basicamente intrínseco. Ao adquirir um produto, realmente feito para ser sustentável, o consumidor está participando desse movimento.

Brasil movimenta economia global de beleza

A economia circular deve ser pensada como um todo. Se por um lado a indústria da beleza movimenta números expressivos de venda, por outro há uma constante preocupação sobre como essa força econômica crescente pode impactar o meio ambiente.

Segundo o provedor de pesquisa de mercado Euromonitor International, o Brasil é o quarto maior mercado de beleza e cuidados pessoais do mundo. O país fica atrás apenas de Estados Unidos, China e Japão (os dados são de um relatório de 2019, relativos a 2018).

A fim de atender às demandas do consumidor e tentar reverter um possível cenário de uso abusivo de substâncias naturais, as empresas de cosméticos green estão revendo seus processos, considerando todos os possíveis impactos associados aos ciclos de vida de seus produtos, desde a fabricação até o destino final dos materiais após o consumo.

Solução evolutiva

Mas ainda há muito o que ser feito. Segundo o portal Green Me, estima-se que a produção de cosméticos convencionais utiliza mais de 10 mil substâncias químicas em seus processos, os chamados POP’s (Poluentes Orgânicos Persistentes), que demoram muito tempo para se decompor e podem se acumular no organismo humano. Nessa lista constam derivados de petróleo, corantes, neutralizantes, ceras parafínicas e polímeros sintéticos também, que podem causar um alto impacto negativo ao meio ambiente.

Além dos componentes nocivos, também existe o alto volume de resíduos oriundos das embalagens dos produtos (sobretudo os plásticos) que, se descartados indevidamente na natureza, ocasionam impactos destrutivos aos ecossistemas. Estima-se que todos os anos são produzidos no mundo 1,3 bilhões de toneladas de resíduos plásticos, sendo 78 milhões de toneladas só no Brasil, de acordo com dados divulgados no Fórum Econômico Mundial de Davos , na Suíça.

Novas formas de negócio

Segundo o Portal da Indústria, a definição mais atual para a economia circular está sendo desenvolvida no âmbito da Organização Internacional de Normalização (ISO). Para a entidade, esse processo “é um sistema econômico que utiliza uma abordagem sistêmica para manter o fluxo circular dos recursos, por meio da adição, retenção e regeneração de seu valor, contribuindo para o desenvolvimento sustentável.”

Isso quer dizer que os materiais são aproveitados em cadeia de forma cíclica e os recursos naturais são valorizados em todas as etapas produtivas, pois o objetivo é reduzir sua extração e ampliar sua disponibilidade. Com isso, a economia circular tem potencial para reverter danos ambientais como o aquecimento global e a poluição, por exemplo.

A ascensão do mercado de beleza no Brasil, porém, vem acompanhada por uma transformação nos hábitos do consumidor, que vem se mostrando mais atento ao que usa e adquire.

Segundo dados apresentados no Caderno de Tendências 2019-2020, elaborado pelo Sebrae em parceria com a ABIHPEC, 73% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por marcas sustentáveis. Ou seja, quando uma empresa opta por mudar o seu processo de produção, tornando-o mais sustentável, ela contribui positivamente para a sociedade e traz benefícios para si mesma.