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Inovação Tempo de leitura: 3 minutos

Entenda o que é Greenwashing

Saiba mais sobre o polêmico termo, que serve tanto para identificar empresas como classificar qualidade de serviços

Por: Almir

Em livre tradução Greenwashing significa ‘lavagem verde’. Mas o que isso, realmente, tem significado para a cosmética? A expressão remete à uma forma estratégica de empresas, organizações e governos que promovem, com o apoio de suas áreas de marketing e relações públicas, uma equivocada venda de sustentabilidade e responsabilidade ecológica.

O agravamento dos problemas ambientais tem levado as empresas a buscarem o desenvolvimento e a comercialização de produtos que causem menos impacto ao meio ambiente. Algumas empresas, no entanto, apostam em estratégias inadequadas e utilizam o termo para passar a ideia de que possuem práticas sustentáveis. 

Você sabe de onde vem o termo Greenwashing?

A palavra inglesa foi mencionada pela primeira vez em 1986 pelo ativista ambiental Jay Westerveld. Após visitar um hotel em Samoa (Polinésia), o norte americano ficou perplexo ao constatar que nos quartos havia um cartão com uma mensagem pedindo para que os hóspedes “salvassem o planeta” utilizando a mesma toalha durante toda a estadia (a praxe é a troca diária). Dessa forma, evitariam o desperdício da água utilizada pela lavanderia. Westerveld apontou, então, em um artigo a ironia de “salvar toalhas” como um exemplo de como o discurso ambiental pode ser distorcido.

O verbete ganhou mundo, mas ainda existem muitos questionamentos sobre o tema. Segundo pesquisa recente da Environmental Sciences Europe, ainda não existe uma definição conclusiva sobre o que é ou não o greenwashing. O fenômeno, inclusive, tem sido discutido por pesquisadores de diversas áreas como Negócios, Comunicação, Economia, Engenharia de Produção, Ciências Sociais, Gestão Ambiental e Direito.

Alguns estudiosos consideram apenas as questões ambientais quando falam sobre o assunto, distinguindo-o do termo bluewashing, que significa que está relacionado a questões sociais. Já outros pesquisadores não o distinguem e consideram o greenwashing um fenômeno social e ambiental.

Como identificar greenwashing?

Mas, neste mercado verde emergente e crescente existem muitas organizações que,  realmente, estão preocupadas com o meio ambiente. Além disso, a classificação ‘Greenwashing’ também pode ajudar a evitar acusações infundadas e proteger empresas que estão genuinamente preocupadas com seu impacto. 

Tendo em vista a gravidade do problema e com a finalidade de separar as boas de más empresas, a agência Canadense TerraChoice estabeleceu os 7 sinais que ajudam a identificar algumas formas de greenwashing:

  • Falta de provas: É importante que todas as empresas forneçam informações acessíveis sobre as medidas ambientais que adotam de forma simples.
  • Troca oculta: É o ato de modificar uma prática nociva e divulgar esse feito enquanto adota e mantém outra medida prejudicial.
  • Falta de precisão: É o uso de frases mal definidas e sem muitos detalhes, deixando ao cliente uma interpretação aberta e confusa, o que pode gerar muitos entendimentos favoráveis sem comprovação alguma.
  • Menor dos problemas: Transforma uma afirmação verdadeira em algo grandioso quando na verdade não é. A empresa não acaba com a problemática, apenas diminui algum componente dela e gera uma auto-promoção a partir de uma redução de problema que no fim das contas não muda em nada os impactos negativos existentes. 
  • Falta de relevância: Ocorre quando uma  empresa divulga que não usa tal prática ou substância nociva, chamando a atenção de diversos consumidores. Entretanto,  a prática ou substância divulgada já é  proibida por lei e a empresa se promove a partir de uma ação que já teria de realizar obrigatoriamente. 
  • Mentiras: A empresa adota discursos  completamente falsos e inconsistentes  com a realidade
  • Falsos rótulos: A empresa passa a utilizar rótulos falsos para enganar o consumidor

Conhecimento gera mudança 

Mesmo entre os consumidores considerados bem informados sobre o termo e o mercado em questão, identificar o greenwashing ainda é considerado um desafio. E, não há legislação regulamentada para sustentabilidade, nem regras ou certificações muito claras a respeito.

Várias pesquisas sobre o tema, porém, já estão sendo desenvolvidas para medir o greenwashing nas empresas. Somente uma análise multicritério será capaz de identificar alternativas prioritárias para a questão.

Enquanto isso, vale a pena pesquisar sobre as fórmulas e destino das embalagens dos cosméticos consumidos. A organização americana Made Safe disponibiliza em seu site uma lista de componentes cosméticos nocivos, além da lista de ingredientes proibidos pela União Europeia. O ideal também é acompanhar as ações das empresas relacionadas ao impacto socioambiental.

Infelizmente ainda existem muitos produtos cosméticos que se dizem naturais, “ecológicos”, mas que contém outros ingredientes nocivos, além de não haver cuidado com a embalagem e com a cadeia produtiva.

Verifique a clareza de informações e tente conseguir o máximo de detalhes possíveis sobre o produto comprado.

Muito além de adotar uma premissa sustentável, a empresa tem que ser, acima de tudo, verdadeira.