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Cuidados Tempo de leitura: 3 minutos

Escova progressiva – um mal disfarçado de ato de beleza

O formol é um agressor da saúde e do meio ambiente

Por: Almir

A busca pela “beleza ideal” pode ser muito perigosa para a saúde. Este é o caso das escovas progressivas com formol, que alisam e amaciam os cabelos. A prática tornou-se constante nos salões de beleza em meados de 2000 e hoje o uso de formol é proibido pela Anvisa. 

A escova progressiva promete um alisamento duradouro dos cabelos, em torno de 1 a 4 meses. Essa alternativa seria ideal para mulheres cada vez mais ocupadas com a rotina de pessoal e profissional se o perigo iminente da prática não fosse muito maior do que o seu benefício. 

Os riscos dos produtos à base de formol

O alisamento com formol quebra temporariamente ou permanentemente as ligações químicas que mantém a estrutura tridimensional dos fios de cabelo, criam um filme endurecedor ao longo do fio, impermeabilizando-o e mantendo-o rígido e liso. Segundo uma pesquisa realizada pela Fenacamp, o produto causa danos tanto em quem aplica quanto em quem recebe a escova progressiva

O estudo cita trabalhos sobre a toxicidade do formol. Em exposições mais leves, pode causar dermatite e inflamação da membrana da mucosa nasal. A exposição crônica pode causar sensação de queimação e pressão no tórax e alguns sintomas como cefaléia, náuseas e irritabilidade, além de tosse e edema pulmonar. 

Desde 1995, estudos realizados com animais pela IARC (Agência Internacional de Pesquisa do Câncer) já suspeitavam de que o produto poderia ser cancerígeno. O fato foi comprovado em 2006, quando descobriu-se que os profissionais expostos correm risco de desenvolver leucemia.

O formol é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma substância cancerígena para humanos. As comprovações levaram à proibição do uso de formol em produtos para alisamento pela Anvisa. Hoje, no Brasil, o formol só é permitido na função de conservante em uma concentração de até 0,2%, conforme a Resolução 162/01.  

O que ocorre é que nesta concentração, o formol não alisa o cabelo. Portanto, se a mistura aplicada alisar os fios, é porque tem mais formol do que deveria.

Um risco ao meio ambiente

Além do risco à saúde humana, a substância também possui um grande impacto sobre o meio ambiente, sendo considerado como um poluente orgânico persistente, que, quando destinado inadequadamente, encadeia graves problemas ambientais. Um estudo realizado pelo Instituto Federal Catarinense constatou que o formaldeído (que quando diluído em água denomina-se formol ou formalina) é um composto líquido extremamente irritante para as mucosas e muito agressivo à natureza, por conta de seu alto índice de toxidade e volatilização. Esse resíduo costuma ser utilizado como preservativo, desinfetante e antisséptico, pois possui propriedades capazes de neutralizar bactérias, deixando as peças anatômicas imune à decomposição, fator muito importante para a sua conservação. Por isso a substância é tão utilizada para conservar cadáveres.

O formol (formalina) é uma solução formada pela mistura de água e metanal. Assim, sempre que nos referirmos ao formol, também estamos fazendo referência ao metanal. Esse composto, que apresenta alta inflamabilidade (queima com facilidade), é capaz de reagir quimicamente com as mais diversas substâncias e pode ser encontrado na produção de alguns cosméticos; desinfetantes e outros.

Alternativas para substituir o formol nas escovas progressivas

De acordo com o site do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o uso do formol deve ser interrompido totalmente. Algumas alternativas apresentadas pelo mercado são a utilização de outras substâncias alisantes registradas e permitidas pela Anvisa, como o ácido tioglicólico, o hidróxido de lítio, o carbonato de guanidina e o hidróxido de cálcio.

No entanto, essas substâncias podem ter incompatibilidade com resquícios de formol, por isso é aconselhável observar as recomendações do rótulo do produto e buscar a orientação de um profissional.

A maioria das escovas sem formol é feita com carbocisteína, um aminoácido que abre a estrutura do fio. O alisamento é ativado por calor após a aplicação do produto, geralmente com o auxílio da chapinha para cabelo. Para fios lisos por mais tempo, entra em cena o tioglicolato de amônio e a etalomina, substâncias semelhantes ao formol, mas que – teoricamente – causam menos danos aos cabelos e aos profissionais que aplicam a mistura. 

Como saber se a escova tem formol ou não

Para evitar problemas, analise sempre os rótulos e registros dos produtos. Procure termos como formaldeído, formalina, óxido metileno, metanal ou aldeído metílico, que são sinônimos do formol. Outra dica é buscar o número de registro, uma sequência de 9 ou 13 dígitos sempre iniciada com o número 2. Na frente dele devem vir as siglas “Reg. MS” ou “Reg. ANVISA”. Esse código é dado pela Anvisa quando o cosmético é aprovado para o uso.

Observe também se o produto não está sendo manipulado no próprio salão. Alguns cabeleireiros acrescentam o formol na hora do uso, o que também é proibido e considerado crime hediondo pelo Código Penal Brasileiro. 

Por último, observe o cheiro do produto quando ele estiver sendo aplicado em seus cabelos. O odor do formol é muito intenso e aparece mesmo que seja disfarçado por perfumes e essências. Então, preste atenção e se olhos ou nariz começarem a arder, peça imediatamente para interromper o tratamento.

De qualquer modo, é sempre bom reavaliar a forma de cuidar dos cabelos e lidar com a própria beleza. Existem formas mais naturais para manter os fios bem tratados. Uma boa hidratação, por exemplo, pode deixá-los com mais brilho e promover significativa redução de volume.