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Cuidados Tempo de leitura: 3 minutos

Espuma não é sinal de eficiência em produtos de limpeza

Além de não significar boa higienização, a formação de bolhas pode mascarar sujeiras e prejudicar meio ambiente

Por: Almir

Em tempos de pandemia, o hábito de lavar as mãos se tornou ainda mais constante. Seguindo os protocolos previstos pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o uso de sabão para lavar as mãos se transformou não só numa questão de higiene, mas de necessidade. Muitos relacionam, porém, a eficácia de um produto ao fato de produzir ou não muita espuma. Seria isso uma verdade?

Para chegar a uma resposta satisfatória, é necessário uma explicação um tanto quanto didática. São classificados detergentes os sabões, sabonetes, detergentes sintéticos, cremes dentais, shampoos, dentre outros compostos que prometem uma limpeza profunda. A  água, por ser polar, não consegue remover a gordura dos materiais. Como existe diferença de eletronegatividade entre os átomos de hidrogênio e oxigênio nas moléculas de H2O, ela não consegue dissolver as gorduras por si só.

A ciência ainda explica que a água possui “tensão superficial”. É basicamente uma espécie de película ou membrana elástica que se forma devido às ligações entre as moléculas de água. Essa película que a impede de penetrar em tecidos e outros materiais para remover a sujeira. É aí que entram os agentes tensoativos, que tem a função de diminuir a tensão superficial da água. Os tensoativos formam micelas, pequenas bolinhas, que aprisionam a sujeira em seu interior e com o auxílio da água arrastam a sujeira para longe. 

A espuma pode mascarar a ação do produto

Quando o sabão é esfregado nas mãos com a ajuda da água acontece a formação de muitas bolhas de um gás que se forma na superfície do líquido. Então, espuma nada mais é do que a produção de finas películas de ar que retêm os gases. O seu verdadeiro propósito é fornecer tempo de contato o suficiente em uma superfície suja para permitir que os agentes detergentes e desengraxantes façam o seu trabalho.

Nesse sentido, a espuma não está diretamente relacionada à qualidade da limpeza do produto, principalmente para a estética. Em alguns casos, inclusive, a sua presença reduz a capacidade de higienização. Um exemplo disso são os shampoos. A diferença entre os que promovem muita ou pouca espuma é apenas a quantidade de tensoativos que são utilizados na formulação. Em contato com a água, os sulfatos fazem as bolhas de ar aumentarem no cabelo dando uma falsa sensação de limpeza. Dessa forma, a espuma pode ter efeitos negativos, pois mascara a qualidade da limpeza do couro cabeludo. 

Surfactantes podem ser prejudiciais à saúde e ao meio ambiente

A única vez que a espuma entra em ação durante a limpeza é quando se limpa uma superfície vertical e é preciso verificar onde os detergentes foram aplicados. Em outras palavras, a espuma é um indicador de sujeira. Ela funciona mais como um chamariz para marketing do que como prova de eficácia. 

Nos rótulos de vários produtos de limpeza e higiene pessoal, por exemplo, é comum encontrar a descrição de lauril sulfato de sódio (LSS), um surfactante que modifica a tensão superficial do líquido, possibilitando que ele interaja com outros elementos. Essa substância tem propriedade detergente, ação emulsificante, remove a gordura e o óleo das superfícies e tem efeito solubilizante. Parece inofensivo e promove muita espuma. Mas esse ingrediente afeta nossa saúde e prejudica o meio ambiente.

Muitos fabricantes têm a noção de que a presença de espuma nada tem a ver com a eficiência da limpeza, Ainda assim, continuam adicionando substâncias espumantes aos produtos, mesmo estando cientes de que elas não são removidas facilmente pela água. Baseiam-se em uma cultura antiga que relaciona a quantidade de espuma à eficiência. Eles preferem ludibriar o consumidor para não perder vendas.

Fique atento aos rótulos dos produtos de limpeza

O excesso de espuma pode causar prejuízos para o consumidor. Pode esconder, por exemplo, a eficácia do enxágue dos cabelos, além de “arrastar” parte da estrutura saudável do cabelo ou da pele, podendo causar irritação e levar à sensibilização do couro cabeludo e da pele. Além disso, as espumas vão parar nos ralos e, consequentemente, em rios e oceanos, provocando problemas ambientais expressivos. A substância ajuda a formar uma camada que dificulta a oxigenação da água, prejudicando a vida marinha.

Portanto, antes de escolher um produto de limpeza ou higiene pessoal, consulte um fornecedor qualificado. Prefira o que sigam as regras de sustentabilidade e tragam em seus rótulos as características corretas da composição e desempenho de cada produto.