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Inovação Tempo de leitura: 2 minutos

Estudos apontam eficácia da meditação para o cérebro

Neurocirurgiã afirma benefícios da prática de atenção plena para a saúde mental

Por: Almir

Você nunca sabe o que moverá sua vida numa nova direção. Foi por um acaso que Sara Lazar, a neurocientista do Mass General e da Harvard Medical School, começou a estudar meditação.

Em um artigo para o site do neurocirurgião Joe Dispenza, ela conta que sofreu uma lesão durante o treinamento para a Maratona de Boston e, por causa de seu ferimento, seu fisioterapeuta a aconselhou a se alongar mais. Logo, a doutora começou a praticar ioga, mas estava mesmo empenhada na fisioterapia. 

Não demorou muito, entretanto, para que ela percebesse que se sentia mais calma, mais compassiva, paciente e mais disposta, com a prática do exercício que tem por objetivo trabalhar o corpo e a mente.

Veja aqui o artigo completo  

Curiosa, Lazar procurou pela literatura científica existente sobre o assunto e descobriu uma vasta quantidade de evidências que apontavam para os efeitos positivos gerais da meditação para o corpo, incluindo redução do estresse, depressão e ansiedade, bem como redução da dor e insônia. E, enquanto estudava, ela percebeu um aumento na sua própria qualidade geral de vida.

Neurociência e meditação

Lazar, então, resolveu fazer um estudo sobre o tema com base em neurociência. Primeiramente, reuniu pessoas que meditaram por sete a nove anos e as comparou com um grupo que praticava a atenção plena regularmente. O que ela descobriu foi que aqueles que praticavam meditação por muito tempo, aumentavam a massa cinzenta em seu córtex auditivo e sensorial, na ínsula e nas regiões sensoriais do cérebro e, também, em várias outras áreas, além disso, notaram aumentos da massa cinzenta na região do cérebro que está ligada ao córtex frontal, que está associada à tomada de decisões e à memória.

Talvez o aspecto mais impressionante do estudo tenha sido que, embora o córtex da maioria das pessoas encolhe à medida que envelhecem, os meditadores do estudo com 50 anos ou mais, tinham a mesma quantidade de massa cinzenta daqueles com metade de sua idade.

Um dos principais benefícios da meditação consciente, é que ela força a pessoa a desacelerar e se envolver com o momento presente. Isso os desafia a prestar mais atenção às sensações físicas da meditação, como a respiração, as sensações de energia dentro do corpo e os sons ao seu redor.

Prova real

Para verificar seus resultados, Lazar conduziu um segundo estudo. Nele, ela inscreveu participantes que nunca haviam meditado e os colocou em um programa de consciência plena de oito semanas. O intuito era entender se as pessoas que meditavam há muito tempo ainda tinham mais massa cinzenta para expandir.

Em apenas oito semanas de meditação, o estudo constatou que os participantes experimentaram um espessamento em várias regiões do cérebro, incluindo o hipocampo esquerdo (envolvido no aprendizado, memória e regulação emocional); o TPJ (envolvido na empatia e na capacidade de assumir múltiplas perspectivas); e uma parte do tronco cerebral chamada ponte (onde os neurotransmissores reguladores são gerados).

Os participantes do estudo foram convidados a meditar por 40 minutos por dia, mas a média acabou sendo de 27 minutos.

Desde 2013, a doutora – juntamente à equipe do Dr. Joe Dispenza – tem realizado seus próprios estudos, medindo transformações quantitativamente por meio do poder da meditação. A equipe de pesquisa, aliás, descobriu que em apenas quatro dias de meditação regular durante um retiro avançado, o gene da neurogênese – que é o crescimento de novos neurônios em resposta a novas experiências e aprendizado – foi ativado.

A pesquisa conclui, empiricamente, que não importa quanto tempo você dedique à meditação, assim como qualquer exercício, quanto mais você a pratica, melhor você se torna.