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Inovação Tempo de leitura: 2 minutos

Existe diferença de preço entre produtos masculinos e femininos?

Conheça a Taxa Rosa: produtos voltados para mulheres custam até 12,3% mais caro

Por: Caroline Borges

Na pesquisa Taxa Rosa e a Construção do Gênero Feminino no Consumo, de 2017, Fábio Mariano Borges constata: as mulheres pagam, em média, 12,3% mais caro por produtos idênticos aos direcionados para homens. A pesquisa tem como objetivo verificar e comparar os preços (método chamado de pricing) dos produtos destinados a homens e mulheres desde a infância. Roupas de bebê femininas para até 3 anos de idade, por exemplo, custam 23% mais caro do que as versões masculinas. Os brinquedos também demonstram uma diferença discrepante. Brinquedos para meninas podem custar até 26% mais caro. 

A taxa rosa

O levantamento da ESPM constata que ser mulher é mais caro. Em roupas para adultos, as voltadas para o público feminino custam até 17% mais. Em produtos de higiene, paga-se até 7% a mais no mesmo produto da cor rosa. A diferença se estende a outros tipos de consumo, como o estético: um corte de cabelo feminino chega a custar 27% a mais do que o masculino. 

A pesquisa também realizou uma sondagem entre as classes A, B e C, com 480 mulheres, entre 20 e 55 anos, de 3 capitais do país. Conclui-se que 89% das entrevistadas consideram normal os produtos voltados para o público feminino custarem mais. A justificativa predominante é que as mulheres são mais consumistas, o que geraria uma maior demanda, portanto, um valor mais elevado. 

Fábio Mariano, responsável pelo levantamento, discorda. “Se uma máquina emite 1 volume de produtos muito maior para mulheres do que para homens, o custo é otimizado onde o volume é maior, tanto que todo mundo sabe: comprar no atacado é mais barato”, disse ao Poder 360º. Mariano aconselha que comecemos a nos questionar: vale a pena consumir um produto só por ele ser voltado para um gênero específico? 

Uma questão sociológica

Uma das explicações para a taxa rosa vem dos estudos sociológicos. Desde o século XVII, as lojas foram montadas e dirigidas para o público feminino. A partir de 1930, após a famosa crise econômica mundial, o comércio começou a atrair o público masculino com artigos específicos para homens, com preços reduzidos e promoções. A diferença da origem de preço por gênero vem desse processo: na época, uma calça feminina chegava a custar 37% mais caro do que uma calça masculina. 

A partir da década de 60, as empresas passaram a investir em estudos e pesquisas sobre o comportamento de consumo das mulheres. O objetivo era atrair e explorar ainda mais o público feminino com uma gama de produtos específicos. Na época, os preços maiores eram justificados como resultado de investimentos em pesquisa e diferenciais nos produtos. Porém, nos dias de hoje, tais razões perdem o sentido. Segundo o levantamento, “alguns preços mais altos para mulheres permaneceram, como o caso do corte de cabelo”. Os profissionais de salão explicam que o corte feminino é mais elaborado, sofisticado e toma mais tempo que o corte masculino. No caso, a cobrança deveria ser por tipo de corte, tipo de tratamento, tempo de corte ou por cm cortado, mas não por gênero como é feito até hoje”.

Veja o estudo completo.