close
Inovação Tempo de leitura: 3 minutos

Ingredientes tóxicos em cosméticos são uma ameaça à saúde

Os contaminantes emergentes podem ser encontrados em produtos de uso comum. Previna-se!

Por: Almir

O uso de cosméticos cresce diariamente em todo o mundo. Diante desse cenário, o consumidor tem se tornado cada vez mais exigente com os ingredientes que são utilizados na fabricação dos produtos. E, realmente, para quem quer aderir ao consumo consciente, isso tem que ser uma constante.

Para se ter uma ideia da importância de ficar atento aos rótulos, uma pesquisa realizada pela Universidade de Notre Dame, EUA, constatou que mais da metade dos cosméticos vendidos nos Estados Unidos e Canadá, provavelmente, contêm altos níveis de PFAS, – um grupo de produtos químicos artificiais chamados de contaminantes emergentes – relacionado a graves problemas de saúde como o aborto espontâneo e o câncer.

Veja aqui a pesquisa completa

Os pesquisadores testaram mais de 230 cosméticos comumente usados ​​como batons, máscaras hidratantes, rímel à prova d’água, entre outros, e constataram a presença de substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas, utilizadas abundantemente em produtos domésticos comuns para torná-los impermeáveis ou não inflamáveis.

De acordo com o estudo publicado na revista Environmental Science & Technology Letters, alguns dos níveis mais altos de PFAS foram encontrados em rímel à prova d’água (82%) e batom de longa duração (62%). Em 29 dos produtos constatou-se altas concentrações de flúor; apenas uma das marcas testadas listou PFAS como ingrediente no rótulo.

Ingredientes tóxicos podem provocar graves problemas de saúde e ao meio ambiente

Um artigo realizado pela revista Analítica aponta que as indústrias cosméticas têm aumentado o uso de compostos com ação conservante, surfactante, fragrâncias, corantes, etc., a fim de potencializar a qualidade, propriedade e prazo de validade dos cosméticos. Por outro lado, muitas dessas substâncias são tóxicas para o corpo humano, apresentando riscos à saúde que variam de uma reação simples de hipersensibilidade leve a um processo anafilático ou até mesmo uma intoxicação letal.

Veja aqui a matéria completa

Para os cientistas que assinam o trabalho publicado, o uso indiscriminado de cosméticos deveria ser tratado como uma questão emergente de saúde pública, pois os compostos químicos impróprios aumentam os riscos biológicos. Sabe-se, por exemplo, que alguns ingredientes potencialmente tóxicos em produtos cosméticos (ex.: microplásticos esfoliantes) atingem o meio ambiente de várias maneiras, inclusive através da água, apresentando riscos para os ecossistemas e humanos.

Diante disso, o que tem se observado mundialmente é a busca dos consumidores e de algumas marcas por novas metodologias para o controle de qualidade na produção e consumo de produtos. 

Substâncias com potencial tóxico na formulação de cosméticos

As restrições ao uso de alguns ingredientes cosméticos são estipuladas por várias agências de vigilância em todo o mundo, permitindo que qualquer ingrediente que não conste da lista de restrições seja utilizado. Não raro, isso acaba provocando interpretações erradas – ou mal intencionadas – de empresas que constantemente usam substâncias que não estão na lista de restrições das agências reguladoras, mas são sabidamente alérgenos em potencial. 

Com o argumento de aumentar o desempenho, eficácia e viabilidade de algumas formulações, companhias têm lançado produtos que trazem aditivos químicos “embalados” como inovação tecnológica. Diazolidinil Ureia, Dioxano, Imidazolidinil, Ureia, Metilcloroisotiazolinona-metilisotiazolinona (MCI-MI), Metildibromoglutaronitrila-fenoxietanos (MDBGN-Quaternal, PE), Parabenos, entre outros, são exemplos de contaminantes emergentes que podem ser encontrados nessas formulações. Todos têm alto potencial alérgico.

Embora as substâncias acima sejam responsáveis ​​pelos efeitos mais adversos dos cosméticos, outras substâncias consideradas mais “inofensivas”, também, podem provocar intolerância. Algumas Fragrâncias (Myroxylon Pereirae), surfactantes (lauril sulfato de sodio), oxidantes (parafenilenodiamina), monotioglicolato de glicerila, resina toluenossulfonamida-formaldeído, Propilgalato, octilgalato e dodecilgalato são todos antioxidantes usados ​​para evitar a deterioração dos ácidos graxos insaturados e já foram  citadas como possíveis causadores de complicações de saúde.

Teste antes de usar um cosmético 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 30% da população brasileira têm algum tipo de manifestação de alergia. Além disso, estima-se que até 2050, metade da população mundial sofrerá um processo alérgico, sendo 80% deles afetados com sintomas na pele.

Muitas das substâncias tóxicas citadas podem resultar em dermatite de contato irritativa, que costuma surgir logo após a aplicação do produto e é caracterizada por coceira, queimação e uma certa sensação de “picadas”; Também pode ocorrer a dermatite de contato por hipersensibilidade, que resulta da sensibilização alérgica, independente de ação irritante ou tóxica do produto sobre a pele. 

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Columbia, EUA, descobriram que uma proteína da pele chamada CD1a é responsável por desmascarar substâncias químicas indutoras de alergias. Após o contato, as células T (do sistema imunológico) reconhecem compostos químicos encontrados em cremes, cosméticos e outros produtos de consumo tópico como um “estranho”, desencadeando a reação alérgica. No entanto, apesar do estudo definir um mecanismo que poderia explicar de forma plausível as muitas respostas conhecidas de células T a substâncias oleosas, ainda faltam mais investigações para colocá-lo em prática.

O estudo ressalta que estipular a incidência de efeitos colaterais causados por cosméticos é bastante difícil, porque os usuários com efeitos colaterais fracos geralmente não procuram atendimento médico. O aconselhável é sempre procurar a orientação de um dermatologista, usar produtos de empresas confiáveis e realizar o teste em uma pequena área do corpo, como atrás das orelhas.