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Cuidados Tempo de leitura: 2 minutos

Lenços umedecidos: uma das práticas de higiene que mais poluem o mundo

Entenda porque esses produtos podem ser nocivos ao corpo e ao meio ambiente

Por: Almir

À primeira vista, os lenços umedecidos parecem ser inofensivos paninhos descartáveis para a limpeza da pele, mas, na verdade, não é bem assim. Geralmente feitos de TNT (uma fibra que frequentemente contém viscose de origem vegetal na composição e poliéster, que é um plástico), eles podem contribuir – e muito – para a agressão ao meio ambiente.

O poliéster descartado se fragmenta em pedaços microscópicos, que poluem os oceanos, se misturam a substâncias tóxicas, são comidos por peixes e se acumulam na cadeia alimentar. Os microplásticos, mais do que os derivados de petróleo visíveis a olho nu, são um dos grandes desafios para o combate à poluição dos esgotos, mares e oceanos.

O problema é ainda maior quando após o uso, esse lenço é descartado nas privadas. Para se ter uma ideia, em países com o clima frio, os lenços que se acumulam na tubulação do esgoto se misturam a fraldas e resíduos gordurosos, congelam e formam fatbergs – trocadilho com iceberg e fat (“banha”).  Segundo matéria da Super Abril, inclusive, um desses (com peso equivalente ao de 11 ônibus), entupiu o esgoto de Londres, capital inglesa, em 2017.

Impactos ambientais e econômicos

O problema é que os lenços umedecidos se tornaram uma parte cada vez mais comum de nossas vidas diárias. Seja removendo a maquiagem, limpando sujeiras superficiais ou realizando tarefas de limpeza geral na cozinha e no banheiro, eles trazem comodidade para nossas vidas. Mas, infelizmente, essa facilidade não é a mesma quando se trata do seu descarte no meio ambiente. 

Em sua grande maioria os lenços umedecidos contém fibras microplásticas que não se degradam no meio ambiente. Apesar disso, muitas pessoas ainda acreditam que é seguro jogá-los no vaso sanitário.

Segundo dados da Organização Water UK, isso tem sido o grande fator responsável por mais de 300 mil entupimentos de esgoto todos os anos no Reino Unido. O impacto econômico que isso tem causado no país é enorme: anualmente, são cerca de 100 milhões de libras saídos dos bolsos dos contribuintes para desentupir os ralos.

Perigo eminente

E o problema não é só o entupimento de esgotos. Uma pesquisa realizada pela USP mostra que existe uma clara negligência em relação à exposição humana a parabenos por meio de lenços umedecidos comerciais em comparação com outras fontes, como alimentos, cosméticos e produtos farmacêuticos. O estudo, inclusive, foi capaz de identificar pelo menos dois parabenos (PrP e BuP) em lenços e fraldas recomendados para crianças com menos de 3 anos, o que é proibido por lei.

Esses cosméticos carregam muita água livre, que funciona como solvente de secagem rápida, permitindo o crescimento dos microrganismos e reações químicas. Além disso, eles necessitam de muito conservante e tem uma alta carga de tensoativo (substâncias que diminuem a tensão superficial ou influenciam a superfície de contato entre dois líquidos), que acaba aderindo à pele da criança ou do adulto que os utilizam. 

Consumo consciente

A melhor ação possível seria dispensar o uso de lenços umedecidos e utilizar alternativas reutilizáveis de limpeza. Para um consumo mais sustentável, o ideal, por exemplo, é remover a maquiagem e limpar os bebês e crianças com outros itens mais sustentáveis e seguros. 

Por outro lado, se você não pretende abrir mão da praticidade, assegure-se de adquirir uma opção biodegradável, que não use nenhum plástico em sua composição.  Também é importante fazer o descarte de forma correta. Ainda não existem produtos no mercado que sejam adequados para descarte no vaso sanitário ou no lixo – mesmo as instalações de monitoramento de água mais avançadas não conseguem lidar com eles.