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Cuidados Tempo de leitura: 2 minutos

Máscara de menstruação para a pele tem validação científica?

Entenda se o sangue menstrual tem benefícios comprovados

Por: Caroline Borges

O ritual plantar a lua é um movimento que se inspira em “tradições ancestrais” em que o sangue menstrual é celebrado e visto como símbolo de fertilidade. No Brasil, ao mesmo tempo em que ganha muitos adeptos, o conceito ainda causa reações de estranhamento e, até mesmo repulsa. Ainda mais quando o assunto é passar o fluxo como uma máscara no rosto. 

A prática é polêmica. Por um lado, existem mulheres que encaram o procedimento como um ritual de reconexão com o corpo, além de trazer benefícios para a pele. Por outro, ainda falta validação científica para a “máscara de menstruação”. Em entrevista à BBC Brasil, a ginecologista Carolina Melendez, médica que atua tem uma abordagem natural, diz que retomar práticas ancestrais para se reconectar com a natureza e sua própria essência é muito válido, mas que ainda “não existe nada na ciência comprovando se faz bem ou mal para a pele, especificamente”.

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A médica, no entanto, frisa que, apesar de os benefícios do ritual não serem comprovados cientificamente, a menstruação precisa ser mais estudada. “O que se sabe é que o tecido endometrial tem um potencial imunológico e regenerativo muito acentuado, ali se encontram tipos específicos de células-tronco. Como prática ritualística, pode ser interessante”, avalia Melendez. 

Na falta de validação científica, o melhor é não usar o sangue no rosto

Juliana Boza, dermatologista e diretora da seção gaúcha da Sociedade Brasileira de Dermatologia, endossa para a publicação que como não há estudo indicando que o uso de sangue menstrual é um caminho para deixar a pele saudável, desaconselha o uso da prática. 

“Esse sangue passa pela vagina, que é colonizada por fungos e bactérias. Como não há comprovação científica, não podemos descartar completamente a chance de algum processo infeccioso. Toda vez que aplicamos algo na pele, há estudos para ver a absorção, a segurança. O sangue não é um meio estéril”, alerta.

Nossa microbiologia e cientista Bruna Scherr Laignier Coelho aponta ainda que o sangue é o meio de cultura mais fértil que existe, ou seja, passar o sangue menstrual no rosto pode apresentar grandes riscos. Se esse sangue estiver contaminado e entrar em contato com os olhos, por exemplo, pode ter consequências muito graves, afirma. 

A menstruação não pode ser considerada “suja” ou um tabu, no entanto, há que se ter cuidado com o que se passa na pele, pois ela é um órgão bastante sensível do organismo humano. O ideal é usar produtos naturais, que não agridam o meio ambiente e que sejam compatíveis com a barreira da pele.