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Inovação Tempo de leitura: 4 minutos

Maskne: o fenômeno que aumentou o consumo por produtos anti-acne

O mercado da beleza foi impactado pela pandemia e, consequentemente, pelos protocolos de proteção

Por: Almir

No último ano, o uso de máscaras protetivas passou a ser uma constante em todo mundo. E esta crise de saúde que estamos vivenciando desenhou novas tendências, pontuou um novo marco nos padrões de consumo e, consequentemente, no comportamento dos consumidores, principalmente no setor dos cosméticos.

O uso constante de máscaras, entre outros fatores, favoreceu o aparecimento de acnes em toda população mundial, independentemente da idade. Os acessórios feitos de algodão, como por exemplo a N95 e a PFF2 (as mais eficazes na proteção) costumam causar atrito no rosto e ‘abafam’ a transpiração provocando, assim, o fenômeno chamado maskne.

Acne recorrente

Esse efeito, no entanto, já é bastante conhecido por atletas de alta performance. Em termo mais técnico, é chamado de ‘acne mecânica’. Esse tipo de inflamação da pele é muito comum em pessoas que praticam esportes em nível de competição.

“’Na verdade, essa é uma acne comum que pode ocorrer em pessoas que nunca a tiveram. A máscara é essencial para nos protegermos e temos que conviver com ela. Porém, a nossa pele não está acostumada a isso e esse é um de seus efeitos”, disse a Dra. Mar Mira à revista BBC World, especialista em medicina estética e nutrição e cofundadora da clínica Mira + Cueto, em Madri, Espanha.

Segundo uma pesquisa publicada pelo Journal of the American Academy, o fenômeno maskne é algo mais comum entre os profissionais da saúde. Dentre 83% dos profissionais pesquisados em Hubei (China) tiveram problemas dermatológicos em seus rostos devido ao uso constante das máscaras.

Em entrevista para Personal Care Magazine, a dermatologista Amy Kassouf, de Cleveland (Ohio), disse que a acne derivada do uso de máscara “… sempre foi um problema para os profissionais de saúde que são obrigados a usá-la. Mas, só agora que seu uso foi divulgado ao público, é que o problema foi espalhado”. Quando falamos ou respiramos, a máscara tem a tendência de ‘tampar o ar’ o que, além de ser muito incômodo, cria um ambiente ideal para a proliferação de bactérias e ácaros na pele.

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Tratamento correto

Ter a pele oleosa e com tendência à acne não chega a ser uma novidade, mas o efeito maskne parece ter trazido uma maior preocupação nos cuidados com a pele. Isso fez com as marcas começassem a pensar em novas estratégias para lidar com a acne de uma maneira mais natural.

A acne nada mais é do que uma lesão causada pelo aumento da produção de sebo vinda das glândulas sebáceas. Esse excesso de oleosidade deixa os poros obstruídos e aumenta a proliferação de bactérias, resultando nos comedões, que chamamos mais comumente de cravos. Quando ocorre uma inflamação deles, a chamamos de espinha.

Mas o maskne exige um cuidado um pouco mais específico já que os tratamentos, geralmente, indicados para acne costumam ser compostos por fortes ácidos, que desencadeiam ainda mais irritação e sensibilidade.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia reconhece o efeito e recomenda que não se abandone os cuidados diários com a pele com produtos indicados para cada tipo de pele, fazendo sempre a limpeza, tonificação e a hidratação corretas. Além disso, existem tratamentos orais e de uso tópico, mas que devem ser previamente prescritos por um dermatologista.

Novas estratégias

Novos tratamentos anti-acne estão sendo estudados para tentar aplacar o efeito maskne. A Vytrus Biotech, por exemplo, propõe o uso de um produto à base de células-tronco vegetais, que age na microbiota da pele e promete atuar nos danos causados pelo uso de máscaras.

O produto é feito com o ingrediente ativo Quora Noni (Cientificamente conhecido como Morinda Citrifolia Callus Culture Lysate) é o metaboloma concentrado das células totipotentes do Noni. Este ingrediente atua como um tratamento e prevenção da pele propensa à acne.

A planta é amplamente utilizada na medicina tradicional da Polinésia e tem sua origem nas ilhas do Pacífico Sul como o Taiti e Fiji, com mais de 15 ativos descritos. A planta Noni é usada mundialmente para remédios analgésicos, anti tumorais e anti inflamatórios.

A Niacinamida é outro ingrediente que tem sido utilizado – com muita eficiência – em produtos para hidratação da pele. Ela é uma vitamina essencial do complexo B, é solúvel em água e, também, pode ser chamada Vitamina B3. Nos cosméticos, a substância ajuda a aumentar a síntese de ceramidas naturais da pele, estimulando a renovação celular e a utilizada em altas dosagens pode uniformizar o tom da pele. Ela também é antioxidante e, assim, previne o envelhecimento e ajuda a controlar a oleosidade excessiva.

Alguns profissionais também têm recomendado o uso de óleo essencial de Melaleuca, também conhecido como Tea Tree, que tem ação fungicida e bactericida e age na região do rosto que entra em contato com a máscara. 

Maskne tem tratamento

Mas é sempre bom salientar que a indicação de produtos curativos para pele deve ser indicada por um especialista. O dermatologista, por exemplo, poderá prescrever um bom hidratante para proteção da pele (a fim de diminuir o atrito entre máscara e elástico) que contenha ceramidas, ácido hialurônico ou dimeticona. Esses ativos ajudam a criar uma barreira protetora mais forte. Mas não façam isso por conta própria, pois cada caso – e pele – necessita de uma avaliação específica.

É importante, também, aliar o tratamento da pele ao consumo de água e à alimentação adequada. O estresse, má alimentação e privação de sono contribuem muito com o surgimento das acnes.

A boa notícia é que o efeito maskne é mais fácil de se curar do que a acne comum porque não é determinada por predisposição genética ou fatores hormonais.