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Inovação Tempo de leitura: 3 minutos

Nova York restringe o uso de dioxano em cosméticos

O estado é o primeiro nos EUA a limitar o nível do poluente persistente em produtos de limpeza e cuidados pessoais

Por: Almir

Até o final de 2022, Nova York pretende proibir a venda de produtos de limpeza doméstica e higiene pessoal que contenham 1,4-dioxano. Os limites para comercializar serão de até 2 mg para a linha de limpeza, e no máximo 10 mg para cosméticos. O estado é o primeiro a estabelecer um limite máximo desses contaminantes em produtos com esse composto heterocíclico, classificado como éter.

Veja aqui a lei americana

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos afirma que a substância é um provável cancerígeno humano, não biodegradável e que essa lei evitará uma maior contaminação no abastecimento de água do país.

O 1,4-dioxano é um líquido incolor com um leve odor doce, semelhante ao do éter dietílico. O composto é frequentemente chamado simplesmente de dioxano, isso porque os outros isômeros do composto raramente são encontrados.

Lei estendida

A lei, assinada pelo governador Andrew M. Cuomo ainda estabelece a diminuição do limite de uso do dioxano para 1mg em produtos de limpeza e de higiene pessoal até o dia 31 de dezembro de 2023.

No Brasil, o uso de 1,4-dioxano já é proibido. O problema é que a substância pode estar presente em qualquer produto que contenha matérias primas fabricadas por etoxilação. Neste processo químico, o óxido de etileno é adicionado a álcoois de ácidos graxos para resultar em propriedades detergentes. Ou seja, o composto adquire propriedades tensoativas usadas para fazer detergentes, emulsionantes e agentes solubilizantes; portanto, o  1,4 dioxano pode aparecer como um subproduto de uma reação indesejada. 

Nos cosméticos naturais, principalmente, a presença dessas matérias primas, pois o uso é proibido. Alguns cosméticos brasileiros, preferencialmente, não deveriam conter materiais etoxilados, como o lauril éter sulfato de sódio, um agente formador de espuma em shampoos e pastas de dentes, mas eles ainda são encontrados em algumas formulações.

Dioxano na água

O American Cleaning Institute, que representa os produtores de sabonetes e detergentes de Nova York, diz que a lei é “imprudente” e pode impedir as vendas de muitos produtos domésticos comuns na cidade.

O grupo da indústria afirma que “quantidades minúsculas” de 1,4-dioxano podem acabar em alguns detergentes líquidos para a roupa e louça. 

Já a Fundação de Long Island (situada no sudeste do estado de Nova York), que defende a lei, encomendou uma pesquisa para testar a presença de dioxano em shampoos, sabonetes corporais, produtos para bebês, detergentes para a roupa e sabonetes para mãos e pratos e postou os resultados – estarrecedores – na Internet.

Foram encontrados níveis elevados de 1,4-dioxano, anteriormente usado como estabilizador em solventes clorados, utilizados para tratar a água e torná-la potável em Nova York. E, os dados mostram que Long Island tem um dos níveis mais altos encontrados nos EUA, com contaminação proveniente, principalmente de operações industriais, de acordo com autoridades locais. Eles acreditam que a lei será um alento para que a contaminação não se expanda ainda mais. 

No Brasil, os solventes clorados estão presentes na água tratada. Os níveis de cloro permitidos são definidos pela Portaria da Consolidação nº 5/2017 do Ministério da Saúde. Ela recomenda que a água fornecida contenha um teor mínimo de 0,5 miligramas por litro (mg/L) e máximo de 2 mg/L de cloro residual livre.

Veja a lei vigente sobre o tratamento da água no Brasil

Além disso, estabelece que em qualquer ponto da rede de distribuição, a concentração de cloro residual mínima seja igual a 0,2 mg/L. Esses níveis adotados pelo Ministério da Saúde têm o objetivo de garantir que a população não esteja exposta a riscos.

O valor máximo recomendado de 2 mg/L se dá pelo fato de que, em níveis acima deste, o consumidor passa a perceber sensorialmente o cloro – exemplo de solvente clorado -, seja pelo gosto, seja pelo cheiro. É importante destacar que o cloro não altera a cor da água, mesmo quando em concentrações muito maiores do que essa.