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Inovação Tempo de leitura: 2 minutos

O futuro da moda – e do mundo – deveria ser a união da economia circular à tecnologia

Executiva da H&M fala sobre a importância das empresas adotarem o consumo consciente

Por: Almir

Os anos de 2020/2021 aceleraram o conceito mundial de economia circular. Em entrevista para a McKinsey & Company, Vanessa Rothschild, diretora global de sustentabilidade e gerente de desenvolvimento do H&M Group – multinacional sueca de moda -, sugere que as empresas precisam “abraçar a circularidade e a digitalização ao mesmo tempo”, a fim de gerar uma cadeia positiva de consumo.

Veja aqui a entrevista completa

Há mais de 4 anos, Vanessa lidera esforços de sustentabilidade na empresa que opera cerca de 5.000 lojas em mais de 70 países, pois acredita ter a responsabilidade e uma grande oportunidade de mudar o comportamento das pessoas para um consumo mais consciente. 

Para isso, a equipe definiu metas que incluem o uso apenas de materiais sustentáveis ​​até 2030 e uma redução significativa de gases de efeito estufa até 2040. Isso, consequentemente, auxilia no processo de mudança para o clima, e deveria ser esse o caminho a ser seguido por todas as empresas, internacionalmente.

“Precisamos produzir apenas o que podemos vender e ajustar isso à oferta e à demanda. A inteligência artificial (IA) e as tecnologias 3D estão nos ajudando a dar grandes saltos nessa área”, avalia Rothschild.

Empresa sustentável

A cadeia de valor sustentável é uma forma de gestão que visa aprimorar a atuação estratégica com foco nos impactos sociais e ambientais, de matérias-primas e serviços, desde os fornecedores, subfornecedores e prestadores de serviços até o cliente final e etapas pós-consumo.

Para Vanessa Rothschild, adotar o comércio algorítmico (uso de computadores programados), ou IA, pode ajudar as empresas a entenderem as necessidades do consumidor e, assim, produzir apenas os produtos certos nas quantidades certas e disponibilizá-los nos lugares certos.

“Há muitas coisas super interessantes acontecendo na inovação de materiais. Um exemplo concreto é a Looop, nossa máquina de reciclagem de peça a peça, que agora está em uma de nossas lojas em Estocolmo. Os consumidores podem ver uma roupa velha transformada em uma nova bem diante de seus olhos”.

Outro conceito citado pela executiva é a possibilidade de criação de um “guarda-roupas digital”, que contaria com uma tecnologia capacitiva. “Isso nos levará muito, muito longe, tanto em termos de comportamento do consumidor – porque tornará mais simples trocar, compartilhar e mostrar roupas – quanto em termos de acompanhamento de impacto. Os facilitadores digitais tornarão muito mais simples o fluxo das roupas por meio de modelos de negócios circulares, como revenda, aluguel e reparo.”

A moda a serviço da sustentabilidade

Vanessa faz previsões ousadas para a moda e, também, para o mundo. Para ela, o novo normal pós-pandemia será a roupa compartilhada. A ideia nasce no contexto de reciclagem de produtos, sendo assim, a propriedade real da peça será da comunidade e os consumidores possuirão uma porcentagem muito pequena do guarda-roupa.

Além disso, as empresas terão um maior foco nas questões ambientais, mudanças climáticas e biodiversidade. A indústria da moda se tornará uma força para a mudança de outras cadeias produtivas. Defender a agricultura regenerativa e liderar mudanças sistêmicas como um todo é um exemplo disso.