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Cuidados Tempo de leitura: 3 minutos

O que você precisa saber antes de começar uma dieta de autofagia

A dieta de autofagia é um padrão alimentar relacionado à perda de peso e longevidade

Por: Caroline Borges

Nossas células passam por um processo fisiológico chamado autofagia: elas se alimentam de si mesmas. A palavra autofagia tem origem grega e significa “comer a si mesmo”. O processo é uma forma de limpeza celular que permite a remoção de partes danificadas das células enquanto acontece a reciclagem de outras. Induzir a autofagia tornou- se um hábito popular entre os adeptos de dietas ligadas a longevidade e biohacking, principalmente através de jejuns prolongados. Mas a prática ainda levanta alguns questionamentos: é seguro? Quanto tempo deve-se prolongar um jejum? Existe algo na literatura acadêmica que, de fato, justifique a dieta da autofagia?

O que é autofagia?

A autofagia é uma forma de manutenção celular, a qual recicla proteínas envelhecidas ou danificadas do corpo, essas proteínas são responsáveis não só pelos cabelos e músculos, mas também pela produção de tecido corporal. A medida que o processo de autofagia começa, uma estrutura (ou autofagossomo) começa a se formar. Uma vez totalmente fechado, o autofagossomo se funde com um lisossomo – uma organela contendo enzimas que podem degradar e destruir moléculas. A fusão de ambas as organelas cria um autolisossomo, onde ocorre a degradação de partes celulares. Outras peças são recicladas e reutilizadas para reparo celular, ou seja, a autofagia recicla as proteínas envelhecidas ou danificadas produzindo novos tecidos, além de usá-los como “combustível”.

A autofagia desempenha um papel vital na saúde celular, uma vez que elimina células danificadas e disfuncionais e fortalece as células, tornando-as mais saudáveis. Inclusive, a autofagia tem um papel importante na prevenção de diversas doenças, como câncer, diabetes, distúrbios autoimunes, infecções e doenças neurodegenerativas e cardiovasculares Como muitos processos fisiológicos no corpo, a autofagia diminui com a idade, mas vários estudos em animais e células indicam que o aumento da ativação da autofagia pode levar a uma longevidade com melhor qualidade e uma vida útil mais longa.

A autofagia é boa ou ruim?

Uma autofagia desregulada pode levar ao crescimento celular anormal ou à morte celular. Por exemplo, interromper a autofagia por um período prolongado pode afetar o crescimento celular e levar a vários distúrbios, incluindo a formação de tumores. Na contramão, a superestimulação da autofagia nas células tumorais permite que elas sobrevivam sob condições estressantes, como na quimioterapia

Segundo pesquisas atuais, existem maneiras seguras e práticas de induzir a autofagia visando melhorar a saúde de células e órgãos. Mas ainda são necessárias mais pesquisas para entender completamente os resultados da autofagia induzida.

Como induzir a autofagia?

A autofagia pode ser induzida por condições de estresse controlado para o corpo, como restrição calórica, jejum e exercícios, e também por alguns alimentos e medicamentos. Para induzir a autofagia por restrição calórica, reduz-se de 10-40% na ingestão calórica geral. 

Uma pesquisa clínica indica que a restrição calórica a longo prazo, de 3 a 15 anos, leva a um aumento da expressão de genes da autofagia e a níveis mais altos de moléculas envolvidas na remoção de proteínas e organelas disfuncionais. Portanto, já se sabe que tanto a redução calórica quanto o jejum podem levar a uma melhor saúde e longevidade, e a autofagia provavelmente desempenha um papel fundamental nisso.

Tanto o jejum intermitente quanto o jejum prolongado também levam a um aumento na atividade de autofagia. Em um estudo cruzado de 2019, os pesquisadores analisaram vários marcadores relacionados à longevidade, incluindo a expressão de genes de autofagia. Um grupo de 11 adultos com excesso de peso seguiu um horário de alimentação com restrição de tempo precoce (eTRF) e um horário normal de alimentação. O cronograma eTRF resultou em melhores resultados de longevidade, incluindo um aumento de 22% na produção do gene de autofagia LC3A após apenas quatro dias. 

O exercício também induz autofagia no tecido muscular. Os marcadores de autofagia aumentam imediatamente após sessões curtas de exercício intenso e também ao longo de sessões mais longas de treinamento de intensidade moderada. Há estudos que buscam determinar se o exercício após um jejum prolongado pode resultar em maior ativação da autofagia. No entanto, um estudo apontou que a intensidade do exercício era mais poderosa na indução de autofagia, independentemente do jejum.