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Inovação Tempo de leitura: 3 minutos

Oceanógrafo faz projeto mutirão para recolher redes fantasmas de pesca

Veja como um profissional da Malásia está tentando acabar com o material de pesca descartado no fundo dos mares asiáticos

Por: Almir

O oceanógrafo Anuar Abdullah e sua equipe têm feito um trabalho importantíssimo para o meio ambiente: eles removem as redes de pesca que ficam emaranhadas nos mares asiáticos, prejudicando os recifes. Essa, aliás, tem sido uma preocupação global.

De acordo com o órgão de vigilância dos direitos dos animais, World Animal Protection, aproximadamente 640.000 toneladas de redes pesqueiras – também conhecidas como redes fantasmas – são anualmente deixadas para trás nos oceanos do mundo, e estima-se que cerca de 136.000 baleias, golfinhos, focas e tartarugas sejam capturadas nelas.

Em entrevista para o Climate Heroes, Abdullah conta a sua complicada rotina para ter acesso aos recifes, que muitas vezes estão em arquipélagos de difícil acesso ou com infraestrutura turística limitada a alguns resorts ou ilhas.

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“A razão pela qual as redes se perdem é porque, na maioria das vezes, são implantadas muito perto dos recifes. Esse é o primeiro erro que eles (pescadores) cometem, porque perto do recife é onde estão os peixes”, avalia.

História de preservação

Anuar Abdullah começou a trabalhar como oceanógrafo, pesquisador e mergulhador há cerca de 40 anos. Sua paixão cresceu com a descoberta da diversidade da vida debaixo d’água. O recife de coral é quase 100% faunístico e é a base da cadeia alimentar. “Os peixes pequenos se alimentam de larvas e desovas de coral, incluindo peixes grandes como tubarões-baleia”, explica completando.

“E, então, as larvas de coral são parte do zooplâncton do oceano. Isso dá a comida e se você acabar com isso, basicamente, corta a base da cadeia alimentar e as consequências são muito sérias.”

Quando Anuar estava iniciando suas pesquisas neste campo, já se falava sobre a degradação dos corais. De acordo com o cientista, foram perdidos entre 25 a 40 por cento dos corais do mundo nas últimas décadas. Isso ocorre devido, principalmente, ao aumento da temperatura da água do mar e à acidificação contínua do oceano, mas também ao turismo, pesca, pesca com dinamite e poluição por plástico.

O mergulhador e sua equipe trabalham nos recifes de todo o Sudeste Asiático, a região com o maior nível de biodiversidade nos ecossistemas marinhos do mundo. Como parte de seu projeto atual de quatro anos, na ilha Kyun Pila, na Birmânia, ele construiu dezenas de viveiros de corais e eliminou quase uma tonelada de redes fantasmas de recifes próximos.

Esperança a longo prazo

Mas o seu trabalho está longe de terminar; o projeto, que começou em meados de 2019, indica que ainda há muito a ser feito. Os voluntários que se juntaram à Anuar vêm de todas as partes do mundo, e seus compromissos de tempo variam: alguns ficam apenas por algumas semanas, já outros desejam ver o projeto concluído.

Embora as redes fantasmas sejam relativamente fáceis de limpar, o trabalho é tedioso e extremamente perigoso. Ficar preso em uma rede pode ser fatal. A propagação do coral, por outro lado, é muito mais segura, mas requer um conhecimento sólido do recife e do coral.

“O tempo que um recife leva para crescer depende de sua localização, da qualidade da água e de quanta interação humana existe naquela área. O período de tempo que, geralmente, é necessário para fazer a reabilitação do recife de coral é de quatro anos. E, dentro de seis anos, ele pode ser totalmente recuperado”, diz Abdullah.

Apesar do trabalho ser urgente, pesado e demorado, o oceanógrafo se mostra esperançoso. “Ainda temos lugares intocados na terra e as pessoas deveriam se envolver mais com qualquer tipo de preservação … se esses lugares forem danificados, não teremos mais nada”, avalia.

Vale a reflexão de que os oceanos e mares correspondem a cerca de 70% da área do planeta, ou seja, o mundo não se mantém sem a profusão saudável das águas salgadas.