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Inovação Tempo de leitura: 3 minutos

Os Ingredientes banidos nos EUA e Europa, mas permitidos no Brasil

Regras para fabricação de cosméticos variam de país para país

Por: Almir

Com a evolução da ciência, muitas fórmulas de cosméticos e produtos de higiene pessoal que usamos vêm sendo atualizadas. Alguns cosméticos brasileiros, porém, ainda trazem em seus rótulos ingredientes que, atualmente, são considerados proibidos.

Ao longo do tempo, com auxílio de muita pesquisa, foi se descobrindo que alguns compostos listados em produtos cosméticos não só provocam mal à saúde como também ao meio ambiente. E com o passar do tempo, essa lista de substâncias consideradas nocivas só vem aumentando.

Nos EUA e Europa já existem leis para garantir a segurança dos cosméticos. Isso significa que muitos ingredientes são proibidos ou foram banidos das formulações. Os respectivos projetos de lei responsabilizam as empresas fabricantes de HPPC (Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) pela segurança dos ingredientes incluídos nos seus produtos e exige mais transparência na cadeia de abastecimento, assim como partilha de dados de segurança fornecidos pela indústria. Além disso, pode-se solicitar uma recolha (recall) se um produto for suscetível a causar danos graves.

No Brasil, apesar de haver uma extensa lista – baseada na legislação europeia – de substâncias controladas, nem todas as empresas incorporam os avanços tecnológicos em suas formulações.

Veja aqui a lei dos EUA

Veja aqui a lei da União Europeia

Produtos proibidos ou banidos

A BBC Brasil fez uma listagem dos produtos que são proibidos fora do país, mas que ainda são utilizados em algumas formulações no Brasil. Entenda as controvérsias que ainda pairam sobre o uso de algumas substâncias encontradas em cosméticos.

Ftalatos

Ftalatos são um grupo de compostos químicos que é utilizado como aditivo para deixar o plástico mais maleável. Em cosméticos, eles costumam ser usados como agentes plastificantes em esmaltes ou como fixadores e estabilizantes em produtos desodorantes. Estudos já comprovaram que essa substância pode ser cancerígena, causar danos ao fígado, rins e pulmão, além de anormalidade no sistema reprodutivo e alterações hormonais (disruptores endócrinos).

No Brasil, embora existam vários ftalatos na lista de substâncias proibidas, nem todos são vetados. O ftalato de dibutila, por exemplo (que é proibido em produtos voltados para crianças) ainda é utilizado por algumas marcas de esmaltes. Vale a pena sempre conferir o rótulo!

Formol

Os formaldeídos são um dos casos em que a legislação brasileira está em pé de igualdade com a internacional: eles são proibidos no Brasil – a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tem uma regulamentação rígida que permite seu uso apenas como conservante, em uma concentração máxima de 0,2%. A substância é considerada cancerígena pela IARC (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer).

Isso, porém, não impede que muitos produtos possuam o formol em concentrações bem maiores do que a permitida para promover o alisamento de cabelos. Por isso é importante verificar a procedência dos cosméticos aplicados durante as visitas aos salões de beleza ou os produtos comprados para utilizar em casa.

Triclosan

A preocupação com doenças e a popularização de produtos antibacterianos – principalmente sabonetes antissépticos de uso doméstico – fez com que o consumo desses produtos tivessem um crescimento anormal.

No Brasil é permitida a utilização da substância numa concentração de até 0,3% em produtos de higiene pessoal. Muitos sabonetes comercializados livremente em supermercados contém a substância.

Segundo a FDA (a agência de regulação americana), uma série de pesquisas indicou que a exposição prolongada ao triclocarban e o triclosan pode gerar resistência bacteriana e alterações hormonais.

O uso excessivo de agentes bactericidas e antibióticos mata as bactérias mais fracas, fazendo com que somente as mais fortes sobrevivam e se reproduzam. Isso pode provocar o surgimento de bactérias mais resistentes, chamadas de super bactérias.

Parabenos

O conservante é importante pois sem eles os produtos podem ser contaminados por microrganismos. Sem a presença deles, por exemplo, em uma semana já é possível visualizar a contaminação de formulações por algumas bactérias e fungos (que causam o bolor).

O uso do parabeno, então, é bastante controverso, pois são usados justamente como conservantes. Os questionamentos em torno da substância começaram quando uma pesquisa encontrou uma molécula de parabeno dentro de uma célula de câncer – até então nada indicava que ele havia causado a doença, mas isso foi suficiente para criar uma grande preocupação dos consumidores sobre o assunto.

O estudo nunca foi reproduzido e nunca analisou se o parabeno, realmente, veio de cosméticos ou de outra fonte.

Atualmente, tanto a Sociedade Americana de Câncer (ACS), quanto a Agência Internacional pelo Estudo do Câncer (IARC), que faz parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmam que não existem provas contundentes que possam relacionar os compostos químicos parabenos com o desenvolvimento de câncer. 

As instituições afirmam, porém, que o composto interfere no sistema endócrino de humanos e animais e, por conta disso, é considerado um disruptor endócrino

Por não considerar ter dados suficientes para garantir a segurança do parabeno, a União Europeia optou por proibir o uso de uma série dessa classe de substâncias (isopropilparabeno, isobutylparaben, fenil parabeno, benzilparabeno e pentilparabeno).

No Brasil, a legislação permite um teor máximo de microrganismos para produtos cosméticos, dependendo da região de aplicação (corpo, área dos olhos), e proíbe em formulações apenas o benzil-parabeno e o pentilparabeno. Além disso, as empresas devem assegurar que o sistema conservante seja capaz de impedir a proliferação de bactérias e fungos.