close
Inovação Tempo de leitura: 3 minutos

Os microplásticos estão por toda parte

Cientistas estudam as minúsculas partículas de plástico que são encontradas nos animais marinhos… E em nós!

Por: Almir

É possível imaginar que os seres humanos podem ser compostos por células… E, também, por minúsculas partículas de plástico? Essa notícia pode soar irreal, mas cientistas da Trinity College Dublin fizeram uma descoberta, no mínimo, perturbadora: os recipientes plásticos transferem microplásticos para os alimentos.

Em artigo para o periódico Nature, Dunzhu Li, um dos pesquisadores ressaltou ter ficado chocado ao constatar que até mesmo mamadeiras geram microplásticos. “Se os pais prepararem o leite em pó sacudindo-o em água quente dentro de uma mamadeira de plástico, o bebê pode acabar engolindo mais de um milhão de partículas microplásticas por dia”, calculou juntamente com a sua equipe.

Veja a matéria completa aqui

Micropartículas de plástico por toda parte

O que outros pesquisadores ainda não sabem, porém, é qual é a extensão desse perigo. É de conhecimento geral que os humanos “comem” e inalam areia e poeira, mas não está claro o quanto o consumo dessas partículas de plástico fará mal ao ser humano. “A maior parte do que você ingere vai passar direto pelo seu intestino e sair pelo outro lado”, diz Tamara Galloway, eco toxicologista da Universidade de Exeter, no Reino Unido. “Acho que é justo dizer que o risco potencial pode ser alto”, diz Li.

Os pesquisadores têm se preocupado com os danos potenciais dos microplásticos por quase 20 anos – embora a maioria dos estudos tenha se concentrado nos riscos para a vida marinha. Em 2004, Richard Thompson, um ecologista marinho da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, foi o responsável por disseminar o termo “microplásticos” para descrever partículas com menos de 5 milímetros de diâmetro encontradas no mar durante estudos. Desde então, os cientistas começaram a notar a presença dessa substância em todos os lugares: nas profundezas dos oceanos; na neve do Ártico e no gelo da Antártica; em mariscos, sal de cozinha, água potável e cerveja; e flutuando no ar ou caindo com chuva sobre montanhas e cidades. E essas pequenas peças podem levar décadas ou mais para se degradar totalmente. “É quase certo que haja um nível de exposição em quase todas as espécies”, diz Galloway.

Muitas empresas usam pigmentos plásticos em suas embalagens

Os microplásticos de dimensões maiores, porém, têm maior probabilidade de exercer efeitos negativos, se houver toxicidade química. Alguns fabricantes adicionam compostos como plastificantes, estabilizantes e pigmentos aos plásticos, e muitas dessas substâncias são perigosas, podendo, inclusive, interferir nos sistemas endócrinos (hormonais). São, por exemplo, as famosas embalagens coloridas que dão ao cosmético um aspecto cheio de estilo, glamour e até mesmo a promessa de “falsa sustentabilidade” mas, na verdade, podem transmitir traços tóxicos à composição. Atualmente os pesquisadores estão começando a estudar se a intensidade da intoxicação está correlacionada à frequência e ao tipo de microplásticos ingeridos. Há indícios de que o risco aumenta dependendo da rapidez com que as partículas se desprendem do produto de plástico e da velocidade com que elas conseguem viajar pelo nosso organismo.

No entanto, há que se pensar no futuro, pois se estima que a quantidade de plástico descartado poderá dobrar anualmente, e cerca de 10 milhões de toneladas desse resíduo poderiam estar na forma de microplásticos.

Os cientistas estão constantemente em busca de novas substâncias que sejam ambientalmente mais seguras. Várias empresas, por exemplo, já buscam alternativas mais sustentáveis aos polímeros sintéticos. Prova disso são as marcas que procuram utilizar vidro ao invés de plástico ou alumínio..

O conselho dos cientistas é que se inclua uma mudança para sistemas de reutilização, adoção de materiais alternativos e reciclagem de plástico, assim, a quantidade de resíduos plásticos poderá cair para 140 milhões de toneladas por ano até 2040. E, de longe, os maiores ganhos viriam do corte dos plásticos que são usados ​​apenas uma vez e descartados. “Não adianta produzir coisas que duram 500 anos e depois usá-las por 20 minutos. Essa é uma forma de ser completamente insustentável.”, conclui Tamara Galloway.