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Pastas de dente naturais são tão eficazes quanto as convencionais

O uso de matérias-primas vindas da natureza são alternativa para uma higienização bucal mais segura e sustentável

Por: Almir

Higienizar os dentes é importantíssimo, mas fazê-lo de uma forma que não agrida o meio ambiente é melhor ainda. Muitos dos cremes dentais existentes no mercado ainda contém ingredientes que são nocivos.

A escolha de um produto natural, obviamente, é uma solução mais sustentável. Mas a dúvida que ainda paira é se um item rotulado como natural ou orgânico realmente é suficiente para uma boa higiene bucal.

Em entrevista para a revista Marie Claire, o dentista cosmético Gregg Lituchy, da Lowenberg, Lituchy & Kantor, de Nova York, garante não ter dúvidas da eficácia de produtos naturais, mas que ainda não há uma definição concreta sobre o que é ou não uma pasta de dente natural. “Frequentemente estamos nos referindo a cremes dentais sem adoçantes artificiais, corantes e o agente espumante lauril sulfato de sódio, que está associado a aftas em pessoas propensas”, explica.

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A higienista dental de Ohio, Shannon M. Nanne, completa acrescentando que fórmulas naturais, também, não podem conter o triclosan, um pesticida que muitas vezes é usado como um agente antibacteriano para combater a placa e a gengivite.

O ingrediente ainda pode causar complicações para os peixes, trazendo distúrbios ao habitat natural de animais marinhos. Além disso, muitas pastas dentais possuem microplásticos – um dos principais poluentes dos oceanos.

O que deve ter um creme dental para ser considerado natural

Uma boa pasta dental não deve conter adoçantes artificiais como a sacarina sódica, que não oferecem nenhum benefício e, com o passar tempo, podem levar a problemas de saúde. A solução é usar adoçantes alternativos, como álcoois de açúcar, sorbitol e xilitol, classificados como seguros para usos não alimentares pelo Environmental Working Group, uma organização ativista de trabalho ambiental. Estudos comprovam que o xilitol, inclusive, inibe o crescimento da bactéria que causa cáries.

Mas se a eliminação desses produtos é inquestionável para se rotular uma pasta natural, o mesmo não se pode dizer em relação ao flúor. O debate sobre os benefícios e os malefícios da adição do ingrediente na formulação de produtos dentais é de longa data.

Embora seja encontrado na água e em algumas plantas como nas folhas de chá, a substância também conhecida como fluoreto (fluorine, em inglês), ela é excluída de alguns cremes dentais rotulados como naturais, devido à preocupação com sua possível toxicidade quando usada em níveis extremamente elevados.

Flúor na água que enxaguamos a boca

A utilização ou não do flúor, porém, é uma escolha pessoal. Embasados por pesquisas, os profissionais ouvidos pela Marie Claire, por exemplo, sugerem o uso de pastas fluoretadas. “Não há alternativa significativa ao flúor. Até o momento, é o único ingrediente de creme dental comprovado que fortalece o esmalte e diminui significativamente o risco de cárie”, diz Lituchy.

No Brasil, o ingrediente está presente na água tratada, nos alimentos, no solo, no ar, em produtos naturais, industrializados e em todos os cremes dentais de uso geral comercializados nos supermercados.

Vale lembrar que os governos estaduais e federal brasileiros, com o intuito de combater as cáries, passaram a adicionar flúor na água de abastecimento público. Isto reduziu consideravelmente a incidência de cáries na população, mas a resistência da ação das bactérias nos dentes, também, está intimamente ligada a quanto de açúcar ingerimos na alimentação.

Na verdade, o ideal é usar o flúor com moderação – já que o consumimos na água tratada. Neste caso, optar por uma pasta de dentes mais natural seria um bom ponto de equilíbrio. No mercado já existem, por exemplo, formulações feitas a base de menta, melaleuca, extrato de uva, melissa e camomila, que prometem acabar com as bactérias causadoras de cáries, placa bacteriana e mau hálito.

Experiência natural e consumo consciente

Para muitos, o grande desafio de usar uma pasta de dente natural é o receio de que o produto não apresente os resultados imediatos que o creme dental convencional. Mas a ideia de que “pouca espuma, pouca eficácia”, não procede.

A recomendação é colocar uma pequena quantidade do produto, fazer movimentos circulares e espalhar a pasta igualmente por toda a boca. 

Para se ter uma experiência de higienização bucal o mais natural possível é importante estar atento não apenas ao creme, mas também à embalagem. Embalagens tradicionais de creme dental são geralmente compostas por 75% de plástico e 25% de alumínio. Quando não são redirecionadas para reciclagem, podem demorar até 400 anos para se decompor nos aterros sanitários. Por isso, pensar em outros modos de armazenar produtos de higiene básica aparece como uma medida indispensável na busca pela produção e consumo conscientes. 

Para tentar amenizar esse problema, já existem estudos para confecção de embalagens completamente biodegradáveis, da caixa ao tubo feitos com materiais que se desintegram em contato com a natureza.

Essas embalagens 100% biodegradáveis, no entanto, ainda não estão disponíveis. Mas, enquanto essa alternativa sustentável não chega, o ideal é fazer um descarte consciente, separando os tubos de creme dental para reciclagem.