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Cuidados Tempo de leitura: 2 minutos

Protetores solar convencionais comprometem a saúde humana e a vida marinha

Entenda o impacto dos protetores solares no ecossistemas aquático e no corpo humano.

Por: Caroline Borges

Estima-se que a “poluição dos banhistas” libere cerca de 14 mil toneladas de protetor solar todos anos. Esses ingredientes nocivos afetam diretamente a saúde dos recifes, comprometendo o seu papel na proteção às erosões que exercem nas costas e na sua capacidade de fornecer alimentos aos pescadores locais. Além disso, comprometem também sua sobrevivência, obstruindo a recuperação e restauração de recifes pré-danificados. 

Cerca de 75% dos recifes de corais encontram-se ameaçados pela ação humana e pelas substâncias tóxicas utilizadas em protetores solar. A presença dessas matérias químicas levam ao chamado processo de branqueamento, que impacta na reprodução e desenvolvimento dos corais, provocando deformações morfológicas significativas. 

Essas pequenas florestas tropicais aquáticas que, segundo dados da Organização das Nações Unidas compõem 25% da fauna marinha mundial, correm o risco de desaparecer: o IPCC, Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, estima que desaparecerão 70% a 90% dos corais até 2050, afetando até 500 milhões de pessoas que dependem dos recifes para proteção costeira, alimentação e rendimento.

O impacto dos protetores solares na saúde humana

As substâncias tóxicas presentes na maioria dos protetores afetam também a saúde humana. Vinte compostos químicos são tipicamente usados e entre eles está a oxibenzona, presente em mais de 3.500 tipos de produtos voltados à proteção solar. A oxibenzona atua criando uma barreira bloqueadora dos raios UV. Para cumprir seu papel, possui uma profunda capacidade de penetração nas camadas mais profundas da pele, mantendo-se no organismo mesmo após a aplicação. Estudos científicos vêm analisando os efeitos da oxibenzona no corpo humano e ligando-a a danos celulares e desequilíbrios hormonais. 

No Brasil, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) permite a presença de oxibenzona em produtos de higiene pessoal, perfumes e cosméticos. A concentração máxima permitida é de 10%. A SCCP (sigla em inglês do Comitê Científico de Produtos de Consumo), aponta que a concentração máxima da substância deve ser de 6%, e em produtos com fator de proteção, uma concentração máxima de 0,5%.