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Inovação Tempo de leitura: 3 minutos

Qual é a diferença entre a chlorella e a spirulina?

Entenda mais sobre as microalgas que podem trazer benefícios à saúde

Por: Almir

Na busca por ingredientes cada vez mais naturais, o setor da beleza tem utilizado em suas formulações, substâncias até então considerados simples e sem muita serventia, como as algas. Não à toa a chlorella e a spirulina, que são facilmente encontradas, vêm ganhando cada vez mais popularidade em cosméticos. 

Segundo um estudo publicado na NCBI (National Center for Biotechnology Information), essas microalgas têm perfis nutricionais impressionantes e proporcionam potenciais benefícios à saúde por conter propriedades antioxidantes, anti-hipertensivas, imunomoduladoras, anti cancerígenas, hepato-protetoras e anticoagulantes. Mas apesar de ambas serem originárias do mar, elas têm várias diferenças entre si. 

Entenda a diferença entre chlorella e spirulina

Embora suas composições de proteínas, carboidratos e gorduras sejam muito semelhantes, as diferenças nutricionais são notadas no nível de calorias, vitaminas e minerais.

A chlorella, ou Clorela, é superior em calorias, ácidos gordurosos de ômega-3, provitamina A, riboflavina, magnésio, ferro e zinco. Já a spirulina, ou espirulina, tem menos calorias, mas ainda contém uma grande quantidade de riboflavina, tiamina, ferro e cobre e possivelmente mais proteínas.

Essas microalgas contém quantidades semelhantes de gordura poli insaturadas, mas o tipo é muito diferente. A chlorella contém mais ácidos graxos ômega-3, enquanto a spirulina tem quantidade maior de ácidos graxos ômega-6. Esses ácidos gorduras poliinsaturadas são essenciais para o crescimento celular adequado e o funcionamento do cérebro, mas o corpo humano é considerado incapaz de produzi-los. Portanto, eles são obtidos por meio da alimentação, ou seja, da ingestão das mesmas gorduras poliinsaturadas encontradas nas microalgas.

Spirulina tem benefícios comprovados cientificamente

Outra diferença entre elas é que somente a spirulina tem estudos científicos que comprovam a sua eficácia. Considerada uma das formas de vida mais antigas da Terra, ela apresenta grande densidade em proteínas, reduz os níveis de colesterol, a pressão alta, a inflamação e protege a pele dos radicais livres. Além disso, ela tem sido usada como um suplemento como forma de proteção ao microbioma intestinal, mantendo, assim, um equilíbrio entre os microorganismos que vivem em nosso trato digestivo. Isso ajuda a manter o corpo e a pele saudável, pois ajuda a neutralizar os radicais livres prejudiciais, promovendo o reparo celular.

Na chlorella os benefícios são mais difíceis de confirmar, pois a substância tem um complexo ciclo celular. O que se sabe até agora é que tanto a chlorella quanto a spirulina podem beneficiar o controle do açúcar no sangue, melhorar o perfil do colesterol e reduzir os níveis de pressão arterial.

Uso de microalgas por uma beleza natural e sustentável

Segundo matéria publicada pelo Profissão Biotec, a biotecnologia tem sido bastante utilizada para explorar os benefícios das microalgas. Nesse novo cenário de busca por formulações cada vez mais conscientes, a procura por princípios bioativos naturais, menos tóxicos e com efeito mais prolongado, tem sido uma constante. No caso das microalgas, isso se aplica por poder proporcionar uma produção de cosméticos em larga escala, de custo reduzido e com aumento constante dos níveis de qualidade.

O texto destaca que as microalgas são um excelente recurso para sintetizar compostos orgânicos que retêm propriedades terapêuticas e nutritivas, sendo compostas por proteínas, hidratos de carbono, fibras, carotenóides, ácidos graxos, sais minerais, vitaminas, enzimas, peptídeos e esteróis, cujos valores dependem da espécie e do processo de produção.

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Os processos biotecnológicos de extração e purificação destas substâncias, então, permitem o melhor aproveitamento desses micro-organismos aplicados em cremes, loções, condicionadores e até mesmo suplementos alimentares. 

Cuidado, pois substâncias são originárias do mar e podem provocar alergia

Nas microalgas podem ser encontrados óleos poliinsaturados, que melhoram a camada lipídica da pele e combatem a flacidez e carotenoides, como betacaroteno e astaxantina, pigmentos naturais. Além de naturais, esses corantes são mais resistentes ao calor do que os tradicionais corantes sintéticos, atuando como fotoprotetores e reduzindo a formação de radicais livres associados ao envelhecimento precoce da pele. Os carotenóides são associados como agentes anticâncer e estimuladores do sistema imunológico. Ainda, a presença de alto teor de polissacarídeos auxilia na produção de colágeno, evitando rugas e marcas de expressão.

Em tempos de vídeos virais no Tik Tok, chamou atenção uma tendência de bater algas na água e bebe-las ao invés de aplicá-las topicamente por meio de produtos para a pele. Apesar de poderem ser consumidos, esses suplementos podem se tornar instáveis ​​em sua forma bruta. Quando são compostos em formulações, são estabilizados em gel, creme ou loção, etc, mantendo as suas propriedades oxidativas. Embora a spirulina tenha ação antimicrobiana – o que inclusive pode ser benéfico para algumas doenças de pele – não se aconselha colocá-la diretamente sobre a pele. O ideal é combiná-la em formulações previamente testadas e asseguradas por um controle de qualidade, que fez os devidos testes microbiológicos e de segurança. 

Vale lembrar que tanto a chlorella quanto a spirulina não possuem nenhuma relação ou interação com fármacos ou formulações com princípio ativo. Assim como outros alimentos de origem ligadas ao mar, como peixes e crustáceos, as microalgas e cianobactérias podem causar reações alérgicas. Os fenilcetonúricos – pessoas que têm alteração na função de uma enzima específica para processar o aminoácido fenilalanin -, principalmente, devem evitar o consumo desse tipo de produto. Portanto, antes de adicionar essas algas à sua dieta, consulte um médico.