close
Cuidados Tempo de leitura: 5 minutos

Rumo a uma proteção solar mais consciente e sustentável

Exposição ao sol pode ser benéfica sem a utilização de produtos que agridem a pele e o meio ambiente

Por: Almir

A proteção solar é um dos temas mais discutidos dentro do mercado da beleza no Brasil. Atualmente, a maioria dos filtros existentes no mercado ainda contém substâncias químicas nocivas à saúde, sobretudo os mais acessíveis. Mas pesquisadores e cientistas não se cansam de fazer estudos e experimentos em busca de uma prevenção mais natural e, realmente, sustentável.

O Brasil é um dos maiores mercados consumidores de protetores solares do mundo. Até por conta do clima quente, a indústria cosmética nacional está à frente no desenvolvimento de formulações, incluindo componentes que complementam a proteção à pele, como hidratantes e antioxidantes, entre outros. 

A regulamentação brasileira – criada pela Anvisa – determina que todo protetor solar deve proteger contra radiação UVA e UVB, porém o fabricante não é obrigado a colocar símbolos que diferenciam um tipo de raio do outro. 

Ultrapassando a barreira

A radiação ultravioleta, também conhecida pela sigla UV, pode ser subdividida em três tipos de raios, UVC, UVB e UVA. A camada de ozônio consegue absorver o do tipo C, mas o B e A atingem bastante a superfície da Terra.

Os raios UVB são responsáveis por queimaduras na pele, ou seja, por aquelas manchas vermelhas e ardidas que surgem quando tomamos sol sem protetor solar. Já os raios UVA são capazes de penetrar a derme, o que provoca o bronzeamento. A exposição excessiva a esses raios pode provocar, ao longo do tempo, danos maiores como alterações no DNA.

Controle unificado

Para tentar organizar a produção dos filtros solares, em 2006, se estabeleceu uma unificação dos testes para obtenção de códigos nos padrões internacionais ISO (Organização Internacional de Padronização) com o aval da Colipa (Associação de Perfumaria, Cosméticos e Produtos de Higiene Europeia). 

Há também o padrão FDA (agência responsável pelo controle de alimentos e medicamentos nos EUA), utilizados pelos norte-americanos nos requerimentos de testes para rotulagem de FPS. O Brasil adota os dois protocolos, que são cientificamente semelhantes.

Busca mundial por qualidade

Na verdade, essa busca por qualidade versus consumo consciente tem sido uma constante mundial. A tendência do mercado é desenvolver produtos cosméticos de uso diário cada vez mais seguros, com alto fator de proteção, uma vez que tem se observado um aumento da intensidade dos raios ultravioleta nocivos à Terra. Em alguns países, inclusive, já há produtos com FPS (Fator de Proteção Solar) de 140. 

Desde 2012, no Brasil, é permitido rotular o FPS até 99. Isso porque o brasileiro tem um comportamento muito diferente do europeu no que se refere aos cuidados com a pele e, além disso, o país recebe radiação solar mais intensa. 

Na Europa, porém, o FPS 50 continua sendo o máximo admitido em rotulagem, cabendo apenas um sinal “+” para informar o grau de proteção acima do valor indicado. Essa determinação europeia visa a não incentivar a exposição exagerada ao sol, alimentada pela sensação do consumidor de que quanto maior o FPS, mais seguro ele estará contra os efeitos da radiação.

Em tese, por exemplo, se o consumidor usar um filtro com fator 30, significa que o produto protege 30 vezes mais o tempo em que a pessoa se bronzearia. Ou seja, se ela ficar vermelha  após 10 minutos ao sol, sem protetor, com filtro ficaria protegida por 5 horas.

Exposição ao sol de forma consciente 

O que determina o bronzeado é a quantidade de melanina produzida pela pele e o tempo de exposição à radiação solar. O problema é a exposição solar excessiva. Os dermatologistas, inclusive, costumam afirmar que isso é um dos fatores do envelhecimento precoce. 

Mas o alerta é para o excesso e não para o sol. A Sociedade Brasileira de Dermatologia, inclusive, recomenda a exposição diária ao sol a fim de se produzir vitamina D de forma segura. Bastam 15 minutos por dia, sem usar protetor solar. Outro alerta é para evitar a exposição solar entre 11 e 16 horas (horário de verão) e fazer uso de filtro somente quando estiver sob o sol.

Não é preciso ter medo de se expor ao sol, mas repensar o uso abusivo e excessivo de produtos, naturais ou não, que bloqueiam totalmente as fontes de vitamina, serotonina e bem-estar.

Entenda como os raios do sol atingem a pele

UVA

  • Atinge a Epiderme (camada mais superficial da pele, que atua como uma barreira de proteção do corpo)
  • Responsável pelo bronzeado, manchas e rugas
  • Médio grau de intensidade
  • Aumento o risco de câncer
  • Não é bloqueado totalmente com o uso de filtro solar

UVB

  • Atinge a derme (camada abaixo da epiderme)
  • Deixa a pele vermelha e queimada
  • Ajuda na fabricação da Vitamina D
  • Aumento o risco de câncer
  • Abundante entre 10h e 16h
  • Alto grau de intensidade

INFRAVERMELHO

  • Atinge a Hipoderme (camada mais profunda da pele)
  • Provoca sensação de calor
  • Causa envelhecimento
  • Baixo Grau de Intensidade

A importância de ler rótulos

Para quem quer entender mais sobre rótulos dos produtos, o blog A Naturalíssima criou um guia de proteção solar consciente e sustentável sobre as fórmulas convencionais que estão na mira de pesquisas que, cada vez mais, comprovam um impacto negativo no meio ambiente e na saúde.

Confira algumas dicas propostas pelo guia

Filtro Químico

Produzido com a benzophenona 3 (Benzophenona 3, oxibenzona, benzophenone), esse é o tipo de filtro mais popular do mundo. Tem uma ampla faixa de proteção tanto para raios UVA quanto UVB. É relativamente mais barato que os outros e cosmeticamente bem aceito. Se vier escrito no rótulo Oxibenzona, se trata do mesmo composto químico.

A substância é conhecida por contaminar piscinas e já foi encontrada em amostras de urina e leite materno. Também está envolvida em reações alérgicas e como disruptor hormonal

O ideal é usar um número médio de proteção, como o FPS 30, já que quanto maior o número no rótulo, maior a quantidade de ingredientes químicos associados. Por isso, deve ser evitado.

Filtro Físico

São as melhores opções às fórmulas convencionais, já que são compostos por minerais, como óxido de zinco e dióxido de titânio, que ficam sobre a pele barrando a luz sem serem absorvidos.

Mas dessa combinação veio o aspecto “fantasminha” (efeito esbranquiçado) e a indústria começou a micronizar o dióxido de titânio para melhorar a cosmética. A mudança reduziu o efeito esbranquiçado, mas fez também com que a fórmula inorgânica pudesse ser absorvida pela pele. O perigo é que os ingredientes, até então inofensivos, começaram a ser relacionados à toxicidade (dermatites e carcinogênese).

Para tentar atenuar esses efeitos, as marcas passaram a não micronizar mais o dióxido de titânio e a usar uma quantidade maior de óxido de zinco, que não está envolvido nas pesquisas de danos, e associar nas fórmulas os pigmentos coloridos, como a argila (tipo kaolin).

Alguns rótulos já vêm com a descrição “Non nano micronized” (não micronizado) e, algumas marcas estão usando fórmulas meio físicas e químicas. Mas é bom salientar que é importante ler os rótulos.

Alimentação Consciente

Falar de cuidados conscientes com a pele inclui necessariamente a alimentação. E, dentro desse conceito, os nutracêuticos (complemento nutricional em forma de cápsulas) têm se destacado ao lado dos cosméticos. A proteção solar via oral se dá na redução do processo inflamatório e do stress oxidativo que a radiação UV provoca na pele. 

No entanto, a prática – que é exclusivamente recomendada e prescrita por dermatologistas – não exclui a necessidade de proteção com cremes e roupas durante a exposição, mas ajuda a pele a ficar mais resistente aos danos do sol.  

Mas estes ativos podem ser absorvidos através dos alimentos. A laranja, cenoura ou tomate, por exemplo, são alimentos ricos em carotenóides e licopeno e ajudam a estimular a produção de melanina. O chá verde também é uma ótima opção para garantir altas doses diárias de antioxidantes.

Acessórios de Proteção

Bonés, chapéus, óculos de sol, guarda-sóis e até roupas com mangas feitas com tecidos com proteção UV (conhecido como tecido gelado) atuam como complementos na proteção solar consciente. Os acessórios ajudam a reduzir o uso do filtro cosmético ou mesmo potencializam a proteção, sobretudo para crianças.

No pós sol recomenda-se a utilização de séruns ou hidrantes com antioxidantes.